Ciência e Saúde
Levantamento da instituição americana é referência no acompanhamento do avanço da pandemia da Covid-19 pelo mundo; mais tarde, ranking voltou a listar o Brasil. Nesta sexta-feira (5), informativo brasileiro deixou de fornecer dados detalhados que permitiam acompanhar a progressão da doença. Levantamento global sobre coronavírus feito pela Universidade Johns Hopkins excluiu o Brasil da contagem após o governo mudar a divulgação de seu boletim diário nesta sexta-feira (5) Divulgação A Universidade Johns Hopkins excluiu neste sábado (6) o Brasil do balanço global sobre coronavírus um dia após o governo mudar a divulgação do boletim diário que mostrava o avanço da pandemia de Covid-19 no país. (ATUALIZAÇÃO: mais tarde, ainda neste sábado, o ranking da Johns Hopkins voltou a exibir dados referentes ao Brasil.) O levantamento da instituição americana é referência no acompanhamento da doença pelo mundo. Antes da alteração, o Brasil aparecia em segundo lugar no ranking internacional de casos e em terceiro no de óbitos. O país, no entanto, deixou de figurar em ambas as listas por algumas horas (veja imagem acima). Segundo levantamento exclusivo do G1 junto às secretarias estaduais de saúde, o país tem mais de 35 mil mortes e mais de 659 casos confirmados. Também neste sábado, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que o governo passou a adotar uma nova sistemática para prestar informações sobre o coronavírus. Em uma rede social, ele informou que "o Ministério da Saúde adequou a divulgação dos dados sobre casos e mortes relacionados ao covid-19." Uma das mudanças é que o boletim diário do ministério, divulgado nesta sexta-feira (5), trazia apenas o número de recuperados, novos casos e mortes registrados nas últimas 24h. Antes, o quadro apresentava também os números totais, registrados desde o início da pandemia. Outra alteração é que o boletim passou a ser divulgado pelo ministério por volta das 22h. Inicialmente, essa divulgação ocorria às 17h – depois, passou para 19h. A divulgação às 22h começou nos últimos dias sem que o Ministério da Saúde desse uma justificativa para o atraso. Boletim sobre coronavírus do Ministério da Saúde antes (acima) e depois (abaixo) das mudanças. G1 Além disso, o portal do governo federal que traz os números da pandemia no Brasil saiu do ar na noite desta sexta. Ao ser acessada, a página apresentava apenas a mensagem "Portal em Manutenção." Ela voltou por volta das 17h deste sábado. No entanto, o portal retornou reformulado e com dados ínfimos, se comparado à versão anterior. Não há, por exemplo, informações detalhadas sobre cada estado – nem o total acumulado de contágios e de mortes. Ou seja, ficou igual ao boletim que o ministério passou a divulgar. A nova configuração também não permite baixar um arquivo com as bases de dados, opção que existia anteriormente. Bolsonaro se pronunciou pela primeira vez sobre as mudanças nos balanços na sexta (5). Questionado por jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse: “Acabou matéria no Jornal Nacional.” Ele também defendeu excluir do balanço diário sobre os dados do coronavírus no Brasil os números de pessoas que morreram em dias anteriores. O balanço divulgado atualmente pelo Ministério da Saúde inclui os dados das últimas 24 horas e os números acumulados. 'Acabou matéria do Jornal Nacional', diz Bolsonaro sobre atrasos na divulgação de dados CONASS reage com indignação à declaração de que ministério está recontando mortos da Covid 'Subnotificações e inconsistências Neste sábado, Bolsonaro voltou a falar sobre o assunto, desta vez por meio de uma rede social. De acordo com o presidente, o “Ministério da Saúde adequou a divulgação dos dados sobre casos e mortes relacionados ao Covid-19” e optou por divulgar o balanço diário mais tarde para “evitar subnotificações e inconsistências”; Depois, o presidente alegou que o atraso se devia à necessidade de pegar com os estados dados mais consolidados, mas não explicou por que, por mais de 70 dias, foi possível consolidar os dados mais cedo. Ele também não informou por que os números que são divulgados às 22h constam de uma planilha que atualiza dados até as 19h. “As rotinas e fluxos estão sendo adequados para garantir a melhor extração dos dados diários, o que implica em aguardar os relatórios estaduais e checagem de dados. Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão”, informou o presidente. Mais uma vez, Bolsonaro não explicou por que era possível, antes, consolidar os dados mais cedo. Na sexta, Jair Bolsonaro, como faz habitualmente, criticou o jornalismo da Globo e acrescentou: "Ninguém tem que correr para atender a Globo". Sobre a declaração, a Globo divulgou a seguinte nota: "O público saberá julgar se o governo agia certo antes ou se age certo agora. Saberá se age por motivação técnica, como alega, ou se age movido por propósitos que não pode confessar mais claramente. Os espectadores da Globo podem ter certeza de uma coisa: serão informados sobre os números tão logo sejam anunciados porque o jornalismo da Globo corre sempre para atender o seu público". Decisão de divulgar dados mais tarde gerou críticas Especialistas em saúde e integrantes dos poderes Legislativo e Judiciário têm criticado fortemente o governo federal por retardar a divulgação dos números da pandemia coronavírus. O Ministério da Saúde tem publicado os números de mortos e contaminados só por volta das 22h, mesmo com as informações já tendo sido consolidadas desde as 19h. Fontes do ministério disseram que foi uma ordem vinda do Palácio do Planalto para atrasar e dificultar a divulgação dos crescentes números de casos e mortes. Numa rede social, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, disse que os dados do Ministério da Saúde “devem estar abertos ao público, aos gestores e, portanto, à imprensa de forma consistente e ordenada”. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) disse que “enquanto o número de mortos e contaminados atinge níveis recordes no país, ceifando a vida de milhares de brasileiros, o governo de Jair Bolsonaro opta por dificultar o acesso a informações sobre o avanço da doença”. A ABI disse ainda que o Ministério da Saúde passou a atrasar a divulgação dos dados “na tentativa de calar a imprensa por meio do adiantado da hora.” A vice-presidente da comissão mista do Congresso que acompanha o coronavírus, senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), informou que quer convocar o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, para dar explicações. “A transparência é essencial para se combater a doença principalmente agora, com os números de infecção e óbitos crescentes. Não se pode imaginar ou permitir qualquer manipulação nessa área. Seria crime de responsabilidade”, disse. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse, na sexta, que, se o governo continuar atrasando a divulgação do balanço, o Congresso vai criar um sistema próprio com as secretarias estaduais de Saúde para atualizar os números. “Nós temos que organizar de algum jeito as informações, é pra sociedade. O ideal é que o governo restabeleça isso o mais rápido possível. Espero que nos próximos dias o ministro da Saúde compreenda que informar é fundamental pra sociedade brasileira, principalmente num mundo tecnológico. Num mundo com tanta tecnologia, a gente omitir informação parece que é um erro muito grande.” O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas também propôs a criação de uma rede paralela à do governo, envolvendo os tribunais de contas nos estados, para consolidação dos dados sobre a covid-19 e "divulgação diária até as 18h". Dantas, por meio de uma rede social, justificou a medida diante das "novas dificuldades para divulgar dados nacionais de infectados, curados e óbitos da Covid-19". Na mesma entrevista, concedida na sexta, em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez críticas à Organização Mundial da Saúde (OMS). “O Trump [presidente dos Estados Unidos] cortou a grana deles, voltaram atrás em tudo. E adianto aqui: os Estados Unidos saíram da OMS. A gente estuda no futuro – ou a OMS trabalha sem o viés ideológico – ou nós vamos estar fora também. Não precisamos de gente de fora dar palpite na saúde aqui dentro”, disse o presidente. Trump cita Brasil como exemplo de país com dificuldades para lidar com a pandemia Na sequência, Bolsonaro foi questionado se pretende fazer com que o Brasil deixe a OMS. Ele afirmou: “É o seguinte: ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política, partidária, assim, vamos dizer, até partidária, ou nós estudamos sair de lá”, frisou. Initial plugin text
As secretarias estaduais de Saúde confirmam no país 673.587 casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2), com 35.957 mortes. Veja os dados sobre o coronavírus no Brasil neste sábado (6), segundo levantamento exclusivo do G1 junto às secretarias estaduais de saúde. Os principais dados são: 35.957 mortes; (eram 35.047 até a noite de sexta) 673.587 casos confirmados (eram 646.438 até a noite de sexta) Já segundo o balanço nacional do Ministério da Saúde, divulgado nesta sexta (5) às 21h40, o Brasil chegou a 35.026 mortes e 645.771 casos confirmados. A diferença para o último balanço foi de 1.005 novos óbitos registrados. Veja, abaixo, as idades com maior mortalidade, cidades com maior incidência, taxa de ocupação de leitos de UTI, testes feitos pelos estados e pacientes recuperados. Consulte o número de casos e mortes em sua cidade no Mapa do Coronavírus. Das 20 cidades com maior mortalidade no Brasil, 12 estão no Amazonas e só quatro fora da Região Norte. No ranking, aparecem cinco capitais, nesta ordem: Belém (1°), Fortaleza (5°), Recife (11°), Manaus (13°) e Rio de Janeiro (15°). Taxa de ocupação de leitos de UTI Acre – 82,6% em todo o estado em 4/6 Alagoas – 79% em todo o estado 4/6 Amapá – 98,84% em todo o estado em 4/6 Amazonas – 70% em todo o estado em 3/6 Bahia – 71% em todo o estado em 5/6 Ceará – 82,72% em todo o estado em 4/6 Distrito Federal – 69,5% na rede privada e 42,24% na rede pública em 29/5 Espírito Santo - 85,14% em todo o estado em 4/6 Goiás - 46,6% dos leitos de gestão estadual, em todo o estado em 3/6 Maranhão –96,25% na Grande São Luís, 80,85% no interior e 85,2% em Imperatriz em 2/6 Mato Grosso – 37,6% em todo o estado em 4/6 Mato Grosso do Sul – 7% em todo o estado em 4/6 Minas Gerais – 71% em todo o estado em 3/6 Pará – 79% em todo o estado em 3/6 Paraíba – 67% em todo o estado em 5/6 Paraná – 40% em todo o estado em 4/6 Pernambuco – 98% em todo o estado em 3/6 Piauí - 61% em todo o estado em 24/5 Rio de Janeiro – 90% no SUS em todo o estado em 5/6 Rio Grande do Norte – 84% na rede pública e 71% na rede privada em 5/6 Rio Grande do Sul – 71,9% em todo o estado em 5/6 Rondônia – 77,9% em todo o estado em 3/6 Santa Catarina – 61,7% do sistema público em todo o estado em 3/6 São Paulo – 71% em todo o estado em 5/6 Sergipe – 68,3% na rede pública e 85% na rede privada em todo o estado em 4/6 Tocantins – 60% dos leitos ocupados em 3/6 Roraima não divulgou a lotação dos leitos de UTI do estado. Testes feitos pelos estados Número de testes de coronavírus feitos pelos estados Rio de Janeiro não divulgou o número de testes. Pacientes recuperados Pacientes recuperados de Covid-19 nos estados Initial plugin text
Medicamento Avifavir, versão modificada de um antiviral experimental, deve chegar a hospitais russos na semana que vem. Substância original, que pode causar má formação em embriões, foi testada na China ainda está sendo testada no Japão, e não é comercializada para nenhuma outra doença. Profissional de saúde trata pacientes em ala de maternidade de hospital destinado a pessoas com Covid-19 em Moscou, na Rússia, no dia 25 de maio. Maxim Shemetov/Reuters A Rússia anunciou, na quarta-feira (3), que certificou o antiviral Avifavir para o tratamento da Covid-19. O medicamento ainda está em fase de testes e é uma versão modificada do antiviral experimental favipiravir, de origem japonesa. Segundo o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), que anunciou a certificação do Avifavir em uma nota à imprensa, o remédio mostrou "alta eficácia" em ensaios clínicos feitos com 330 pacientes em 35 centros médicos. Os testes começaram em 21 de maio e ainda estão em andamento. A empresa não divulgou nenhum artigo científico com os resultados da pesquisa nem detalhou quais foram as modificações feitas no medicamento japonês. Ao G1, o fundo informou que os dados foram submetidos a uma publicação científica e serão divulgados "em breve". As primeiras remessas do Avifavir chegarão aos hospitais russos a partir do dia 11. Ao longo do mês, eles devem receber 60 mil doses, de acordo com o RDIF. Nesta reportagem, além de informações sobre os testes na Rússia, você verá que: A versão original do favipiravir ainda está em testes para a Covid-19 no Japão, onde é aprovado (mas não comercializado) para tratar Influenza. Um estudo sobre a ação do remédio para o novo coronavírus já foi publicado na China. Outros países, incluindo os Estados Unidos, também fazem experimentos com a substância. Ensaios russos Equipe trata paciente com Covid-19 em hospital em Moscou, na Rússsia, no dia 25 de maio. Maxim Shemetov/Reuters Segundo o fundo russo, a eficácia do Avifavir ficou acima de 80%, critério para drogas com "alta atividade antiviral". A empresa não disse, entretanto, qual era o grau dos sintomas de Covid-19 dos pacientes que participaram do estudo, nem se eles tinham alguma outra doença. "Eles dizem que têm resultados, mas não sabemos. O problema é que não temos estudo. Então estamos no escuro", avalia Natália Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência. O fundo divulgou que, em um teste com 40 pacientes que tomaram o remédio, 65% testaram negativo para a Covid-19 depois dos primeiros 4 dias de tratamento; entre os que não tomaram, metade teve esse resultado. No 10° dia, 90% dos pacientes já haviam se recuperado. Em 10 dias de ensaios clínicos, o tempo de eliminação do novo coronavírus foi de 4 dias para pacientes que tomaram o remédio, comparado a 9 dias naqueles que não receberam. “O medicamento tem um mecanismo de ação claro – bloqueia a replicação do vírus dentro da célula, atrapalhando seu ciclo de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o Avifavir não suprime processos similiares ocorrendo em células humanas, e por isso não é tóxico para elas", afirmou Konstantin Balakin, chefe do Departamento de Química da Universidade Federal de Kazan. O remédio também "demonstrou segurança, com nenhum efeito colateral novo ou que não tivesse sido informado antes", relatou a empresa. "A tolerância é boa, sem náusea, desconforto abdominal ou diarreia, que ocorrem com frequência na terapia padrão", afirmou Elena Simakina, chefe da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Clínico nº 1, em Smolensk. Para a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, não é possível tomar decisões clínicas sem ler o estudo completo. "Qualquer droga que venha para benefício dos nossos pacientes e que não cause dano é sempre muito bem vinda. O que não pode é sair prescrevendo sem ler e analisar a parte científica". "A gente não quer grandes estudos com metodologias impecáveis, quer o mínimo de segurança para prescrever essas drogas. Eu não vou me basear em um site que falou que tem bons resultados para sair prescrevendo. Deixa sair o resultado para a gente ver que tipo de paciente usou, por quanto tempo, quais foram os efeitos adversos, qual foi a vantagem de usar a droga", explica Richtmann. Os testes do remédio ainda estão ocorrendo em Moscou, São Petersburgo, Tver, Nizhny Novgorod, Smolensk, Ryazan, Kazan, Ufa e na República do Daguestão. Antiviral de origem Foto mostra comprimidos do remédio 'Avigan' (cuja substância genérica é o favipiravir), de origem japonesa e que está em testes no país para combater a Covid-19. Issei Kato/Reuters Os cientistas russos modificaram o antiviral favipiravir, de origem japonesa. No Japão, o medicamento foi aprovado sob o nome comercial "Avigan", mas não é vendido nem em hospitais, nem em fármacias no Japão ou fora do país, segundo a fabricante de origem (Toyama Chemical, uma subsidiária da Fujifilm). Além da Toyama Chemical, outros 7 laboratórios no mundo desenvolvem o medicamento, incluindo três ligados à Fujifilm, um às Forças Armadas dos Estados Unidos e um na China, de acordo com a base de dados AdisInsight. Em estudos com animais, o favipiravir já foi apontado como teratogênico (pode causar más formações em embriões, do mesmo modo que a talidomida). O remédio vem com um alerta para mulheres grávidas e em idade fértil. Ele também é detectado no esperma; por isso, recomenda-se o uso de preservativo para homens. O antiviral foi originalmente pensado para tratar gripe. Mas, conforme a própria Toyama Chemical, o seu uso deve ser considerado apenas quando há um surto de um vírus Influenza novo ou reincidente contra o qual outros antivirais não tenham o efeito necessário. Nesses casos, cabe ao governo japonês decidir usar a droga. "Essa é uma droga que foi desenvolvida como uma reserva de tratamento para Influenza. É uma estratégia do próprio laboratório e do Japão de guardar essa droga, preservar essa droga caso aparecesse outra pandemia de Influenza. Sempre se tem muito medo de que você possa ter um vírus Influenza muito agressivo que não seja sensível ao oseltamivir [Tamiflu]", explica José David Urbaéz, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia no Distrito Federal. Segundo a fabricante, o favipiravir tem um mecanismo de ação que impede a propagação de vírus e "pode ter um potencial efeito antiviral" no Sars-CoV-2 (nome do novo coronavírus), porque ele, assim como os vírus da família influenza, tem apenas uma fita de RNA. "Mas, neste estágio, a aplicação clínica do Avigan para tratar a Covid-19 está sob estudo e preparação para obter evidência clara da eficácia e segurança da droga", disse a empresa. No início de maio, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, chegou a exaltar o potencial da droga para a Covid-19 – ele afirmou que o remédio seria "crucial" para combater a doença – mas, no dia 26, o ministro da Saúde japonês, Katsunobu Kato, anunciou que aprovação da droga havia sido adiada para junho "ou mais tarde", segundo a agência de notícias Reuters. De acordo com a agência, Kato disse que o governo pretendia aprovar a droga se os resultados dos testes clínicos, conduzidos na Universidade de Fujita, mostrassem alta eficácia para tratar Covid-19. Mas um painel de especialistas que avaliou o relatório inicial dos testes declarou que era cedo demais para julgá-los cientificamente, o que fez com que os ensaios continuassem. Além da universidade, a droga está sendo testada pela própria Fujifilm. O Japão também anunciou, no mês passado, que enviaria o remédio a 43 países para experimentos contra o novo coronavírus. Pesquisa chinesa Agentes de saúde se preparam para coletar amostras de exames de jornalistas durante o encerramento do Congresso Nacional do Povo e de coletiva de imprensa do premiê chinês em Pequim, no dia 28 de maio. Ng Han Gua/AP Em março, cientistas do Terceiro Hospital do Povo, em Shenzhen, na China, publicaram um ensaio clínico em que testaram o favirapivir contra o novo coronavírus: 35 pacientes receberam o favirapivir, e outros 45 foram tratados com outro antiviral (que serviu de grupo controle). Não foram incluídos casos graves de Covid-19. Os pacientes que usaram o favirapivir se livraram do vírus mais rápido (em 4 dias em vez de 11) e tiveram taxas mais altas de melhora em imagens do tórax. "Esses achados sugerem que o favipiravir tem efeitos de tratamento significativamente melhores na Covid-19 em termos de progressão da doença e eliminação viral, em comparação com o lopinavir/ritonavir", concluíram os autores. Os efeitos colaterais do remédio também foram menos graves do que os causados pelo outro antiviral, o que, segundo os autores, contribuía para um tratamento prolongado se necessário. Eles lembraram que o estudo teve limitações, que levaram a um viés de seleção dos participantes: não foi um ensaio clínico randomizado (em que os pacientes são colocados em cada grupo aleatoriamente); não teve grupo de controle placebo (em que um grupo recebe uma substância inativa e não o tratamento em si ou outra droga); não teve duplo-cego (método em que nem os pacientes nem os médicos sabem quem está recebendo qual tratamento). Testes nos EUA Nos Estados Unidos, testes com o favipiravir para a Covid-19 começaram em abril, com 50 pacientes em três hospitais: no Hospital Geral de Massachusetts, um dos maiores do país; no Brigham and Women’s Hospital; e no hospital da faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts. A previsão é que os primeiros resultados saiam em agosto. Em uma entrevista de abril, publicada na página de inovação do Hospital Geral de Massachusetts, o médico Boris Juelg, que coordena as investigações com o remédio no hospital, explicou a decisão de testar o remédio lá. "Ele tem alguma atividade contra o ebola. Foi testado na África Ocidental na época em que houve os surtos, mas não em grandes ensaios clínicos randomizados e controlados. Portanto, não há evidências claras para dizer que definitivamente funciona. Dado que possui atividade antiviral, agora estão testando contra o Sars-Cov-2, contra o qual demonstrou atividade", afirmou. Antiviral americano Revista publica estudo preliminar sobre remédio experimental para tratar casos de Covid-19 No mês passado, o presidente americano, Donald Trump, autorizou o uso emergencial do antiviral experimental remdesivir contra a Covid-19. O remédio melhorou o tempo de recuperação dos pacientes de 15 para 11 dias. O remdesivir havia sido pensado, originalmente, para tratar hepatite, mas não funcionou; também foi testado para o ebola, mas não teve resultados promissores, segundo o jornal americano "The New York Times". O medicamento também mostrou eficácia contra a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês) em uma pesquisa feita em macacos. O vírus causador da doença também é da família corona, como o Sars-CoV-2 (nome do novo coronavírus). Initial plugin text CORONAVÍRUS - CLOROQUINA×
Entidade recomenda que todos usem máscaras em áreas onde o distanciamento social não é possível. Uso da máscara não dispensa, entretanto, outras medidas de saúde pública, como o distanciamento social. OMS atualiza orientações para uso de máscaras A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou, nesta sexta-feira (5), novas orientações para uso e fabricação de máscaras de pano para proteção contra a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A entidade ampliou as circunstâncias em que as máscaras devem ser usadas e detalhou os materiais que funcionam melhor para conter a disseminação da doença. As novas recomendações são: O uso de máscaras por todas as pessoas onde houver transmissão ampla da doença e em situações em que o distanciamento social não é possível, como no transporte público; Em áreas com transmissão comunitária, a recomendação é que pessoas com 60 anos ou mais ou com doenças pré-existentes usem máscara médica em situações em que o distanciamento físico não é possível; Em áreas com ampla transmissão, a OMS aconselha máscaras médicas para todas as pessoas que trabalham nas áreas clínicas de uma unidade de saúde, não apenas para os trabalhadores que lidam com pacientes com Covid-19. "Isso significa, por exemplo, que quando um médico faz uma consulta nas unidades de cardiologia ou de cuidados paliativos onde não há pacientes confirmados com Covid-19, eles ainda devem usar uma máscara médica", explicou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Homem usa máscara como proteção para Covid-19 enquanto aguarda em ponto de ônibus em Manchester, na Inglaterra, nesta sexta-feira (5). Oli Scarff/AFP A líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove, também lembrou da importância do uso de acessórios especiais, como respiradores, para profissionais de saúde que estejam próximos a procedimentos que gerem aerossóis (pequenas gotículas de saliva no ar). As recomendações anteriores da entidade continuam valendo: Pessoas doentes com sintomas da Covid-19 devem permanecer em casa e consultar um médico; Pessoas com diagnóstico confirmado de Covid-19 devem ser isoladas e tratadas em uma unidade de saúde, e seus contatos devem ser colocados em quarentena; Se for absolutamente necessário que uma pessoa doente ou alguém que teve contato com ela saia de casa, eles devem usar uma máscara médica; Pessoas que cuidam de uma pessoa infectada em casa devem usar uma máscara médica enquanto estiverem no mesmo cômodo que a pessoa doente; Profissionais de saúde devem usar máscaras médicas e outros equipamentos de proteção ao lidar com pacientes suspeitos ou confirmados de Covid-19. Fabricação Na foto, de 13 de maio, Gary Stokes, fundador do grupo ambiental Oceans Asia, segura máscaras que encontrou em uma área residencial perto de uma praia em Hong Kong. Anthony Wallace / AFP A entidade divulgou novas orientações sobre o material de que devem ser feitas as máscaras de pano: As máscaras devem ter, idealmente, no mínimo três camadas de tecido; A camada exterior deve ser feita de um material resistente à água, como o polipropileno, poliéster ou uma mistura deles; A camada do meio deve agir como um filtro e pode ser feita de um material sintético, como o polipropileno, ou de uma camada extra de algodão; A camada interior deve ser feita de um material que absorva a água, como o algodão. Orientações para o uso Veja como usar a máscara da forma correta durante a pandemia do coronavírus A OMS também divulgou um vídeo (em inglês) com orientações sobre a forma adequada de usar máscaras: Antes de usar a máscara, lave as mãos com águas e sabão ou use álcool em gel; Examine a máscara antes de colocá-la: se estiver danificada ou suja, não use; Coloque a máscara de forma que ela cubra a boca, o nariz e o queixo. Se assegure de que não há espaços entre o seu rosto e a máscara; Não toque na máscara enquanto estiver usando, para evitar contaminação; Se tocar na máscara acidentalmente, limpe as mãos; Antes de retirar a máscara, limpe as mãos com álcool ou lave com água e sabão; Ao retirar a máscara, incline-se ligeiramente para a frente e pegue na máscara pelos elásticos, na parte que está atrás da orelha, sem tocar a frente; Depois de retirá-la, lave as mãos novamente; Se a máscara for de pano, lave com sabão é água, de preferência quente. Máscaras não são suficientes, alerta OMS Maria van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da OMS Christopher Black/OMS Ao divulgar as novas orientações, a entidade reforçou que apenas as máscaras não são suficientes para evitar a disseminação do coronavírus. O uso delas deve ser acompanhado de outras medidas de saúde pública, como manter o distanciamento social e lavar as mãos com frequência. "Nós recomendamos que as máscaras sejam parte de um pacote abrangente", lembrou a líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove. Ela destacou a necessidade de que pessoas doentes fiquem em casa, casos suspeitos sejam testados, casos confirmados sejam isolaados e tratados, e os contatos de casos confirmados sejam traçados e postos em quarentena. Em seu discurso de abertura, Tedros também reiterou a necessidade de outras medidas para prevenir a disseminação da Covid-19. "Não posso dizer isso mais claramente: máscaras por si só não vão proteger você da Covid-19", alertou o diretor-geral. "As máscaras não substituem o distanciamento físico, a higiene das mãos e outras medidas de saúde pública. São benéficas apenas como parte de uma abordagem abrangente na luta contra a Covid-19", disse. "A base da resposta em todos os países deve ser encontrar, isolar, testar e cuidar de todos os casos, além de rastrear e colocar em quarentena todos os contatos. É isso que sabemos que funciona. Essa é a melhor defesa de todos os países contra a Covid-19", declarou. Infectologista ensina como lavar máscaras de pano caseiras Initial plugin text CORONAVÍRUS×
A pesquisa integra os ensaios 'Recovery', que envolvem 11 mil pacientes em todo o Reino Unido. Foto mostra comprimidos de hidroxicloroquina, substância usada para tratar malária e algumas doenças autoimunes, como lúpus. John Locher/AP Cientistas da Universidade de Oxford, que lideram um estudo sobre tratamentos para Covid-19 em mais de 11 mil pacientes no Reino Unido, anunciaram nesta sexta-feira (5) que não encontraram benefícios em tratar a Covid-19 com hidroxicloroquina. Por isso, essa parte dos estudos, que envolve 1,5 mil pessoas, será suspensa. "Concluímos que não há efeito benéfico da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com Covid-19", anunciaram os líderes dos ensaios. "Decidimos, portanto, interromper a inscrição dos participantes no braço da hidroxicloroquina do estudo Recovery com efeito imediato". Vacina de Oxford contra Covid-19 será testada em SP e RJ; saiba quem pode ser voluntário e como serão os testes Segundo os pesquisadores, a parte da pesquisa que testou a eficácia da hidroxicloroquina comparou os resultados de 1.542 pacientes que usaram o remédio contra os de outras 3.132 pessoas, que foram submetidas ao cuidado padrão (o grupo controle). Eles concluíram que "não houve diferença significativa na mortalidade" entre os pacientes que usaram a substância. "Também não houve evidência de efeitos benéficos na duração da internação hospitalar ou em outros resultados. Esses dados excluem de forma convincente qualquer benefício significativo da hidroxicloroquina em relação à mortalidade em pacientes hospitalizados com Covid-19", disseram. Os pesquisadores afirmaram que os resultados completos da pesquisa serão divulgados "em breve". Peter Horby, professor de doenças infecciosas emergentes e saúde global em Oxford e pesquisador-chefe do estudo, declarou que "hidroxicloroquina e cloroquina receberam muita atenção e têm sido amplamente utilizadas no tratamento de pacientes com Covid, apesar da ausência de boas evidências". Brasileira que coordena testes com vacina para Covid-19 na Inglaterra explica dilema da prova de eficácia "O estudo Recovery mostrou que a hidroxicloroquina não é um tratamento eficaz em pacientes hospitalizados com Covid-19. Embora seja decepcionante que esse tratamento tenha se mostrado ineficaz, ele nos permite concentrar o cuidado e a pesquisa em medicamentos mais promissores", ponderou Horby. Martin Landray, professor de medicina e epidemiologia na universidade e vice-pesquisador-chefe, afirmou que os resultados preliminares do estudo são "bastante claros". "A hidroxicloroquina não reduz o risco de morte entre pacientes hospitalizados com esta nova doença. Esse resultado deve mudar a prática médica em todo o mundo e demonstra a importância de grandes ensaios randomizados para informar as decisões sobre a eficácia e a segurança dos tratamentos", disse Landray. Ensaios Recovery Os ensaios Recovery são um conjunto de testes feitos com mais de 11 mil pacientes internados por Covid-19 no Reino Unido. As pessoas são divididas, de forma aleatória, entre os seguintes tipos de tratamento: Lopinavir-Ritonavir (comumente usado para tratar o HIV) Dexametasona em baixa dose (um tipo de esteroide, usado em várias doenças para reduzir a inflamação) Hidroxicloroquina, que é usada para tratar malária e algumas doenças autoimunes, como o lúpus (ensaio suspenso) Azitromicina (antibiótico) Tocilizumab (tratamento anti-inflamatório administrado por injeção) Plasma convalescente (coletado de doadores que se recuperaram do Covid-19, com anticorpos para o novo coronavírus (Sars--CoV-2). Testes da OMS mantidos Especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) comentaram a decisão da suspensão do ensaio britânico em coletiva nesta sexta em Genebra. Eles afirmaram, entretanto, que continuariam os testes da entidade com a substância, que foram retomados, depois de uma suspensão temporária, na quarta (3). A organização coordena os ensaios Solidariedade, uma iniciativa internacional que também busca tratamentos para a Covid-19. A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou que a organização aguarda a publicação final dos dados obtidos nos ensaios Recovery. "Certamente, nosso comitê vai considerar esses resultados", disse Swaminathan. "Entretanto, eles são dois ensaios diferentes, com seus próprios protocolos, seus próprios comitês de supervisão, e, portanto, continuaremos por enquanto, e nosso comitê vai considerar os dados quando estiverem disponíveis. Nós continuaremos a informá-los sobre o progresso dos ensaios Solidariedade", afirmou a cientista. A OMS chegou a suspender os testes com a hidroxicloroquina, no final de maio, por causa de um estudo com 96 mil pessoas publicado na revista "The Lancet", que apontava não haver benefícios do remédio contra a Covid-19 e indicava haver risco de arritmia cardíaca entre os pacientes que o haviam utilizado. O estudo, entretanto, foi retratado pelos autores na quinta-feira (4), por causa de problemas na base de dados utilizada para fazer as análises. Eles afirmaram não poder mais garantir a veracidade dos dados usados na pesquisa. A retratação de um estudo significa que ele perde a validade científica e não pode mais ser usado como referência em trabalhos futuros. Antes da retratação, a "The Lancet" publicou uma "manifestação de preocupação" sobre a base usada na pesquisa. A retomada dos testes da OMS foi feita um dia depois desse primeiro anúncio. Três autores de estudo sobre hidroxicloroquina pedem retratação na revista Lancet Initial plugin text CORONAVÍRUS - CLOROQUINA×
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Algumas pessoas acreditam que as bebidas alcoólicas cortam o efeito dos medicamentos, no entanto o álcool não interfere na ação dos remédios. O que ocorre é que, por ter um efeito diurético, o álcool faz o organismo excretar mais rapidamente os analgésicos, interferindo na duração da ação desses fármacos.
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Assim que o tempo esfria as mães já alertam os filhos para vestirem um casaco. Mas será que ficar agasalhado impede mesmo o contágio da gripe? E tomar um chá quente? Será que ajuda? Ficar exposto ao ar condicionado provoca doenças respiratórias?
 
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