Ciência e Saúde
Tumores diagnosticados em estágio avançado levam a tratamentos mais agressivos e menores chances de cura. Atraso nos exames pode ter consequências graves para as pacientes. Getty Images via BBC Quando a técnica de contabilidade Ana Cláudia Conceição, de 49 anos, conseguiu, com muito esforço, fazer um plano de saúde familiar, achou que as dificuldades que passava no acesso ao atendimento de saúde seriam coisa do passado. No entanto, mesmo tendo plano há anos, Ana Cláudia tenta há dois meses fazer uma mamografia sem sucesso. "Achava que com o plano não ia mais ter esse tipo de problema (de atraso na realização de exames)", conta ela. Moradora do bairro do Jurunas, em Belém (PA), Ana Cláudia tinha o procedimento pedido pelo médico marcado para 28 de julho. Mas quando chegou no hospital do plano Hapvida, informaram que o único aparelho de mamografia estava quebrado e que ela teria de voltar outro dia. Quando tentou remarcar, no entanto, disseram que a senha estava vencida e que ela precisaria ir pessoalmente pegar uma senha nova, conta ela. "Estou muito triste e frustrada, porque já voltei a trabalhar pessoalmente e é muito difícil ir buscar a senha pessoalmente, ainda mais durante a pandemia. Para ir ao médico eu tive que pegar folga com atestado", conta ela. Depois de a reportagem entrar em contato com a Hapvida, em menos de uma hora o plano ligou para Ana Cláudia — e depois de uma espera de dois meses — seu exame foi marcado para primeiro de outubro. Ana Cláudia é uma das muitas mulheres que tiveram os exames diagnósticos de câncer de mama e procedimentos relativos à doença atrasados durante a pandemia de coronavírus. Queda acentuada Dados da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) nos meses de abril e maio mostram que nos grandes centros hospitalares de oncologia — públicos e privados — houve uma queda de 75% no movimento cirúrgico em comparação ao mesmo período de 2019. Já a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) indica que 70% dos procedimentos para retirada de tumores malignos em geral deixaram de acontecer em abril. Dados do DataSus mostram que houve redução de procedimentos em pacientes oncológicos neste ano. Entre janeiro e julho, foram realizadas 80.235 cirurgias em oncologia. No mesmo período do ano passado, foram 91.153 registros. "É muito grave que exames e procedimentos tenham atrasado ainda mais, principalmente porque a gente já tinha uma situação complicada prévia à pandemia; os casos de câncer no Brasil já são descobertos em fase mais avançada", afirma Holtz, do Instituto Oncoguia. Ana Cláudia esperou dois meses para conseguir remarcar uma mamografia. Arquivo pessoal (via BBC) Uma auditoria do Tribunal de Contas da União mostrou que mesmo antes da pandemia, em 2019, já havia espera no SUS de até 200 dias para o diagnóstico de câncer. Consequências do atraso A carioca Miriam*, de 31 anos, conta que vive momentos de apreensão. Moradora da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, ela aguarda na fila para fazer uma biópsia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde julho, quando um exame de ultrassom veio inconclusivo e o médico pediu a biópsia do nódulo que ela encontrou no seio. "Ainda nem tive coragem de contar para o meu marido que encontrei (o nódulo) e que existe essa possibilidade (de ser um tumor maligno)", diz ela. Mesmo jovem e sem histórico de câncer de mama na família, Miriam diz que ter que esperar pelo diagnóstico é "praticamente uma tortura". "Estou morrendo de medo. Não tenho conseguido dormir, fico imaginando o que vai ser da minha família se eu morrer", diz ela, que tem duas filhas. Ela diz que está tentando juntar o dinheiro para pagar uma biópsia particular, mas está com dificuldades financeiras. Miriam é autônoma e ficou meses sem receber trabalhos por causa da pandemia. Prestes a iniciar as campanhas do outubro rosa — de conscientização sobre câncer de mama — médicos alertam que as consequências do atraso na realização de exames diagnósticos e procedimentos oncológicos são muito graves. Uma delas é o agravamento da doença e consequentemente o aumento da agressividade do tratamento. Quanto mais cedo um câncer de mama é descoberto, menos agressivo é o tratamento, explica a mastologista Maira Caleffi, presidente voluntária da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). "Se o tumor é descoberto pequenininho através da mamografia, você consegue evitar a mastectomia total, consegue evitar a quimioterapia, consegue fazer um tratamento muito mais conservador", explica a médica. No entanto, se o tumor é diagnosticado já em estágios avançados, muitas vezes o tratamento é mais agressivo. "Pode ser mais agressivo na mama, na axila, pode precisar de quimio, que vai gerar queda de cabelo", afirma Caleffi. "Milímetros fazem diferença entre indicar ou não quimio, (o crescimento) pode acontecer em meses", afirma o médico Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas. E não só isso: as chances de sobrevivência também são menores, diz Ferrari. "(O atraso em exames por causa da pandemia) vai impactar na sobrevida dos pacientes e isso é pior que a própria pandemia." "Alguns tumores têm uma agressividade celular muito grande mesmo 30 dias após a cirurgia. Se retardar o início do tratamento, já é deletério em termos de sobrevida, imagina a mulher que nem operou. É muito maior a chance de disseminar micrometástase (quando as células de câncer se espalham) e diminui as taxas de cura", diz ele. Há também uma consequência em termos de saúde pública, explica Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. Com mais diagnósticos sendo feito tardiamente e ao mesmo tempo, "na prática que o que vai acontecer é que a gente vai enfrentar filas e mais filas (para o tratamento)", afirma Holtz. Além disso, o diagnóstico e tratamento precoce são mais baratos — o que é benéfico tanto para o SUS quanto para os planos. A ocorrência de câncer de mama no Brasil é de cerca de 66 casos a cada 100 mil mulheres, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), uma das cinco maior taxas do mundo, com uma mortalidade de cerca de 16,4%. 50% dos médicos adiaram cirurgias de câncer de mama por causa da pandemia, diz estudo Medo da pandemia Além dos casos de mulheres que não conseguiram fazer os exames nas redes públicas e particulares, também há casos de pessoas que adiaram por vontade própria por causa da pandemia. "Hoje a gente tem visto um grande número de pacientes que nos procuram porque sentiram um nódulo. Quando já dá para sentir, já está maior, o ideal é descobrir antes com a mamografia", afirma Bruno Ferrari. A mamografia é um exame de raio-x onde a mama é comprimida. É o principal exame feito para diagnosticar câncer de mama e pode detectar tumores que não seriam perceptíveis com o autoexame. É indicado pelo Inca como exame de rotina a cada dois anos em mulheres entre 50 e 69 anos, e em casos de suspeita ou histórico de câncer em outras faixas etárias. Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, diz que as mulheres que têm acesso a exames devem fazê-lo, porque as clínicas estão tomando todas as precauções contra o coronavírus e o risco de não ter um tumor diagnosticado é maior do que o representado pela covid-19. "E quem está tendo dificuldade precisa exigir seus direitos, procurar entidades ou até mesmo a defensoria pública", diz Caleffi, da Femama, que inicia a partir da quinta-feira (01/09) uma campanha para conscientizar além das próprias mulheres, amigos e familiares, sobre o câncer de mama. Miriam não sabia, até conversar com a reportagem, da existência da Lei dos 30 Dias — que determina que os exames necessários para a confirmação do diagnóstico de câncer aconteçam em até 30 dias no SUS. A lei entrou em vigor em abril de 2020, em meio à pandemia, e foi uma complementação da Lei dos 60 Dias (Lei nº 12.732/2012), que estabelece prazo de 60 dias para início do tratamento de câncer no SUS. Exames como a mamografia também são de cobertura obrigatória dos planos pelas regras da ANS (Agência Nacional de Saúde), e caso não estejam disponíveis na rede prestadora de serviços, o plano tem a obrigação de disponibilizá-lo na localidade mais próxima. Initial plugin text
Embora as histórias de luxo, glamour e decadência sejam relativamente conhecidas, há uma parte que nem sempre é lembrada: o papel dos Guinle na saúde brasileira. Guilherme Guinle foi herdeiro dos negócios da família Guinle Acervo da família Paula Machado O sobrenome Guinle é conhecido de muitos brasileiros, especialmente os cariocas, como o de uma das família mais poderosas do país do fim do século 19. Vencedores de uma concessão para modernizar o Porto de Santos em 1888, os Guinle construíram um verdadeiro império: é deles alguns dos empreendimentos mais emblemáticos do país, como o Copacabana Palace, construído em 1923, o Palácio Laranjeiras, atual residência do governador do Rio de Janeiro, o Jóquei Clube Brasileiro, e a Granja Comary. Um dos membros do clã, Arnaldo Guinle, foi presidente do Fluminense Football Club por mais de uma década, até 1930, tendo promovido a construção do primeiro estádio de futebol para grandes públicos no Brasil, na sede do clube, no bairro carioca das Laranjeiras na zona sul do Rio. Pelos cálculos do historiador Clóvis Bulcão, autor do livro Os Guinle (editora Intrínseca, 2015), no auge do movimento do Porto de Santos, o patrimônio da família era o equivalente ao que hoje seriam US$ 24 bilhões. Medo, reações escapistas e busca por culpados durante epidemias já ocorreram em outros momentos da história, explicam historiadores Brasileiros descobrem que anticorpo de cavalos contra a Covid é até 50 vezes mais potente Embora as histórias de luxo, glamour e até decadência — a família acabou perdendo boa parte de sua fortuna — sejam relativamente conhecidas, há uma parte que nem sempre é lembrada: o papel dos Guinle na saúde brasileira. Mais especificamente, de Guilherme Guinle, o herdeiro dos negócios. Ele financiou a criação do Hospital Gaffrée e Guinle, um dos primeiros hospitais do país projetados com uma arquitetura moderna, em blocos em vez de pavilhões, pensada especialmente para minimizar a disseminação de doenças altamente contagiosas. O hospital também serviria para desafogar o atendimento das Santas Casas da Misericórdia, instituições de uma irmandade católica criada em Portugal no século 15. Por serem as únicas que prestavam assistência gratuita aos mais pobres, sofriam com sobrecarga e falta de leitos. Criado a pedido do presidente Epitácio Pessoa e inaugurado em 1929, o Hospital Gaffrée e Guinle simbolizou um marco na modernização da saúde pública do país e no combate às doenças venéreas, principalmente a sífilis. Doença bacteriana sexualmente transmissível, a sífilis provoca lesões na pele, nos ossos, no coração, no cérebro e pode levar à morte, além de ser transmitida a bebês durante a gestação. "Em Casa Grande e Senzala, o sociólogo Gilberto Freyre disse que o Brasil não foi colonizado por Portugal, e sim sifilizado por Portugal", diz a historiadora Gisele Sanglard, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da COC/Fiocruz, que em sua tese de doutorado pesquisou a fundo a filantropia de Guilherme Guinle à saúde e à ciência no Rio de Janeiro dos anos 1920 a 1940. "E, com a modernidade, isso foi percebido como um grande empecilho para uma nação forte e sadia". Entre amigos Após coordenar o combate à epidemia de peste bubônica em 1900, o sanitarista Oswaldo Cruz foi nomeado diretor da Diretoria Geral de Saúde Pública pelo presidente Rodrigues Alves, que tinha como principal meta a modernização do Rio de Janeiro. Como parte do projeto, o combate a três doenças que eram consideradas calamidades sociais: a tuberculose, a sífilis e o câncer. Todas tinham em comum a cidade do Rio de Janeiro, cujas condições de vida — independente, promíscua, suja — eram consideradas a causa das moléstia e, portanto, um mal a ser remediado. Como diretor, Oswaldo Cruz ficou encarregado de promover uma reforma sanitária, a fim de higienizar a capital e livrar a recém-criada república das doenças. Foi por isso que, quando funcionários adoeceram com malária durante a construção de uma hidrelétrica em Ipatinga para abastecer o Porto de Santos, os sócios Gaffrée e Guinle buscaram ajuda do sanitarista. Oswaldo Cruz enviou seu braço direito e discípulo, Carlos Chagas, e dali surgiu uma amizade que viria a ser muito importante. Igualmente importante em termos históricos, a amizade de Cândido Gaffrée e Eduardo Palassin Guinle. Ambos gaúchos — Gaffrée, de Bagé, quase na fronteira com o Uruguai, e Guinle, de Porto Alegre, se conheceram ainda no Rio Grande do Sul e viraram sócios e compadres. Gaffrée era padrinho de Guilherme Guinle, segundo filho de Eduardo com a pelotense Guilhermina Coutinho Guinle (ao todo, o casal teve 7 filhos, 5 meninos e 2 meninas). Na década de 1860, Gaffrée se mudou para a capital nacional para abrir a Aux Tuileries, uma loja na rua da Quitanda especializada na venda de tecidos. Uma década depois, o casal Guinle chegou à cidade e, em 1872, a firma Gaffrée & Guinle abriu o capital e começou a ampliar o negócio. "A história da família Guinle pode ser comparada a do Barão de Mauá, de caixeiros viajantes que conseguiram enriquecer, daqueles casos excepcionais em que um garoto começa trabalhando no comércio como caixeiro, anotando números, e com isso enriquece", opina Sanglard. "Na minha concepção, o grande cérebro era o Gaffrée, que desde o século 19 estava metido com a maçonaria, acho que a partir daí, pelas amizades e contatos, eles conseguiram as coisas que conseguiram, embora eu não possa provar isso", acrescentou. Grande benemérito da ciência Com a morte de Eduardo Guinle, em 1912, e de Cândido Gaffrée, em 1920, Guilherme virou a cabeça da sociedade e dos negócios das famílias. Reza a lenda que, após a morte do padrinho, Guilherme teria encontrado um bilhete escrito por ele à mão pedindo que parte da fortuna fosse doada para a construção de um hospital. De todo modo, a causa fazia sentido também do ponto de vista dos negócios, especialmente no Porto de Santos. "Eles caem na questão sanitária por causa de um paradigma industrial do século 20, o fordismo, que pregava ter todos os elementos da cadeia de produção sob controle e, naquela época, praticamente não existia Estado, ou os empresários davam, ou não tinha", opina Bulcão. "Então esses capitalistas [como os Guinle] ocuparam o espaço onde o Estado não atuava. Não era 'pilantropia', esse termo que algumas pessoas hoje usam, o Guilherme realmente ajudou muitas instituições, e não esperava nada em troca", disse ele. Para completar, observam os historiadores, o herdeiro dos negócios trazia consigo grandes ideais republicanos e era apaixonado pelo que eram considerados valores brasileiros, patrocinando a educação, arte, pesquisa e cultura local. "Guilherme era um grande nacionalista, o projeto dele era o Brasil", diz Sanglard. Coincidência ou não, Carlos Chagas sucedeu Oswaldo Cruz, morto em 1917, na diretoria de saúde pública, com a missão de continuar a reforma sanitária e construir um hospital. A amizade com os Guinle construída desde a época da malária veio a calhar: estava aí o financiamento para a empreitada. Projetada pelo engenheiro arquiteto A. Porto d'Ave, uma das maiores referências da arquitetura hospitalar da época, a construção foi supervisionada Eduardo Rabello, médico e chefe da Inspetoria de Profilaxia da Lepra e das Doenças Venéreas, que assim a descreveu: "não é uma simples fundação de hospital, mas de uma grande instituição, que, uma vez levada a efeito, não terá par no mundo inteiro e colocará a profilaxia das doenças venéreas no Rio de Janeiro numa situação ímpar." Além dos 12 ambulatórios construídos, entre eles uma maternidade e um instituto de proteção e assistência à infância, o hospital tinha um Instituto de Pesquisa PORTO D´AVE & HAERING, ENG E ARC O projeto de fato foi levado a cabo. Além dos 12 ambulatórios construídos, entre eles uma maternidade e um instituto de proteção e assistência à infância, foi inaugurado também um Instituto de Pesquisa. Laboratório da A. Porto d'Ave, uma das maiores referências da arquitetura hospitalar da época Fiocruz Guilherme não parou por aí. Participou da construção do Hospital e Instituto do Câncer da Fundação Oswaldo Cruz, da criação do Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho em São Paulo, financiou as pesquisas de Evandro Chagas, Carlos Chagas Filho e Walter Oswaldo Cruz, e apoiou a criação do Instituto de Biofísica e de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1982, centenário de seu nascimento, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o homenageou com o diploma de grande benemérito da ciência brasileira. "O glamour e o luxo que envolvem o nome da família de certa forma apagaram esse legado, o Copacabana Palace é um nada se comparado a todo o restante", diz Bulcão. Guilherme, que nunca se casou nem teve filhos, morreu aos 78 anos, em 1960. A partir disso, os negócios começaram a entrar em decadência — o Porto de Santos foi prejudicado pela ditadura que teve início em 1964, o Banco Boavista (que se tornou um dos principais empreendimentos da família) faliu em 1999 e o próprio Copacabana Palace quase foi demolido porque, com a proibição de cassinos, deixou de ser lucrativo. Mas o Hospital Gaffrée e Guinle permanece de pé: hoje, é o hospital universitário da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Veja VÍDEOS sobre Ciência e Saúde:
País tem 143.886 óbitos registrados e 4.813.586 diagnósticos de Covid-19, segundo o consórcio dos veículos de imprensa. Registro de infectados deixa tendência de queda e volta a estabilidade, um dia após menor média móvel de casos desde junho. Brasil registra 876 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, afirma consócio de imprensa O consórcio de veículos de imprensa divulgou novo levantamento da situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, consolidados às 20h desta quarta-feira (30). O país registrou 876 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, chegando ao total de 143.886 óbitos desde o começo da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 689, uma variação de -12% em relação aos dados registrados em 14 dias. É o 8º dia seguido que o país apresenta média móvel abaixo de 700. Uma sequência tão grande com o número abaixo dessa marca só ocorreu antes em meados de maio. Desde o dia 14 de setembro a tendência na média móvel de mortes segue em estabilidade, ou seja, o número não apresentou alta nem queda representativa em comparação com os 14 dias anteriores. Antes disso, o país passou por um período de uma semana seguida com tendência de queda no registro de mortes por Covid. Em casos confirmados, desde o começo da pandemia 4.813.586 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 33.269 desses confirmados no último dia. A média móvel de novos casos foi de 26.544 por dia, uma variação de -15% em relação aos casos registrados em 14 dias. Um dia após a menor média móvel de casos em 3 meses, os registro de infectados deixam a tendência de queda e voltam à estabilidade. No total, 2 estados apresentam alta de mortes: Roraima e Rondônia. Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Em Roraima, por exemplo, o número saltou de 0 para 7, resultando em uma tendência de alta de de 700%. A média é arredondada para facilitar a apresentação dos dados. Brasil, 30 de setembro Total de mortes: 143.886 Registro de mortes em 24 horas: 876 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 689 por dia (variação em 14 dias: -12%) Total de casos confirmados: 4.813.586 Registro de casos confirmados em 24 horas: 33.269 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 26.544 por dia (variação em 14 dias: -15%) Estados Subindo (2 estados): RR e RN Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (14 estados): SC, ES, MG, RJ, GO, MS, AM, AP, BA, CE, MA, PB, PE e SE Em queda (10 estados + DF): PR, RS, SP, DF, MT, AC, PA, RO, TO, AL e PI Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Estados com mortes em alta Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Estados com mortes em estabilidade Editoria de Arte/G1 Sul PR: -21% RS: -21% SC: -12% Sudeste ES: +9% MG: -6% RJ: -1% SP: -17% Centro-Oeste DF: -40% GO: -7% MS: -9% MT: -21% Norte AC: -36% AM: +2% AP: 0% PA: -42% RO: -49% RR: +700% TO: -27% Nordeste AL: -16% BA: +7% CE: -5% MA: +1% PB: +4% PE: +2% PI: -17% RN: +16% SE: +6% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais).
Pessoas com grande força de vontade costumam ser exaltadas em relação àqueles com menor autocontrole. Mas estudos recentes têm mostrado que, quando o jogo muda, o comportamento moral também muda. Acredite: a capacidade de autocontrole também tem seu lado sombrio, mostrou experimento na França Pexels Há alguns anos, 80 pessoas na França participaram de um jogo experimental no que parecia ser um programa-piloto de TV chamado La Zone Xtrême. Inicialmente, os participantes foram informados apenas que seriam organizados em pares — um sendo o "interrogador" e o outro, o "concorrente". Mas assim que as luzes se acenderam e todas as regras foram explicadas, o rumo foi sombrio. Os interrogadores foram informados de que teriam que punir os concorrentes com choques elétricos para cada resposta errada. Também seria preciso aumentar a intensidade do castigo a cada erro, até chegar a 460 volts — mais do que o dobro da voltagem de uma tomada europeia. Se a dupla passasse de 27 rodadas, venceria o jogo. Cada concorrente foi então levado para uma sala trancada e amarrado em uma cadeira. Já o interrogador se sentou no centro do palco. O jogo começou. Como se tratava apenas de um programa-piloto, os participantes foram informados de que não haveria um prêmio em dinheiro ao fim. Mesmo assim, a grande maioria dos interrogadores continuou aplicando choques, mesmo depois de ouvir gritos de dor vindos da sala. Felizmente, os gritos eram apenas uma atuação — ninguém foi realmente eletrocutado. Os interrogadores estavam participando, sem saber, de um experimento elaborado para explorar como vários traços de personalidade podem influenciar o comportamento moral. Embora se pudesse esperar que os mais perversos fossem pessoas impulsivas e antissociais, ou pouco persistentes, cientistas franceses descobriram exatamente o oposto. Os participantes que estavam dispostos a dar mais e maiores choques eram justamente aqueles associados a um comportamento cuidadoso, disciplinado e moral. "Pessoas acostumadas a serem organizadas e dóceis, com boa integração social, têm mais dificuldade em desobedecer", explica Laurent Bègue, psicólogo e pesquisador da Universidade de Grenoble-Alpes que analisou o comportamento dos participantes. Essa descoberta se soma a uma série de estudos que já mostraram que pessoas com alto autocontrole e disciplina têm um lado obscuro surpreendente. O controverso 'Experimento de Aprisionamento de Stanford', interrompido após sair do controle E este acúmulo de evidências pode nos ajudar a entender por que cidadãos exemplares às vezes se tornam tóxicos, e também a compreender comportamentos antiéticos em nossos locais de trabalho e além. Superando impulsos Por décadas, o autocontrole foi visto como algo exclusivamente positivo e vantajoso. Essa qualidade pode ser avaliada de várias maneiras, desde questionários que "medem" nosso nível de autodisciplina e organização até experimentos sobre força de vontade, como o famoso "teste do marshmallow". Nesses casos, pessoas com alto autocontrole apresentaram melhor desempenho na escola e no trabalho e adotaram estilos de vida mais saudáveis, pois eram menos propensas a comer demais ou a usar drogas, e mais propensas a praticar exercícios. Pesquisas também descobriram que a capacidade de superar os impulsos mais básicos também significava fazia aqueles com maior autocontrole ter menos propensão a agir de forma agressiva ou criminal. Assim, por muito tempo se acreditou que o autocontrole representa o caráter de alguém. Alguns estudiosos chegaram a comparar isto a um "músculo moral" que determinaria nossa capacidade de agir com ética. Em meados da década de 2010, porém, Liad Uziel, da Universidade Bar-Ilan de Israel, começou a investigar a importância do contexto nas nossas decisões de autocontrole. Uziel partiu da hipótese de que o autocontrole é apenas uma ferramenta para atingir objetivos, e que estes podem ser bons e ruins. Em muitas situações, nossas normas sociais recompensam as pessoas que cooperam com outras, de modo que as pessoas com alto autocontrole seguem essa linha alegremente. Mas, se mudarmos essas normas sociais, então elas podem ser menos escrupulosas em suas relações com os outros, propôs o pesquisador. E para testar a ideia Uziel recorreu a um experimento psicológico chamado "jogo do ditador", no qual um participante recebe uma quantia em dinheiro e tem a oportunidade de compartilhá-la com um parceiro. Graças às normas sociais de cooperação, as pessoas costumam ser muito generosas. "Racionalmente, não há razão para dar ao segundo jogador qualquer quantia", explica Uziel, "mas as pessoas geralmente dão cerca de um terço da verba para os outros." Só que os pesquisadores também descobriram que as pessoas com alto autocontrole só eram generosas se temessem ser julgadas por seu comportamento mesquinho, ao passo que, se suas ações fossem mantidas em sigilo, eram muito mais egoístas do que as pessoas consideradas tendo pouco autocontrole. No experimento, uma vez que o medo do julgamento dos outros desapareceu, os "autocontrolados" escolheram seus próprios interesses em vez de ajudar os outros, ficando com quase todo o dinheiro. Pessoas com autocontrole alto também parecem ter mais cuidado ao cometer um ato antissocial, evitando assim serem flagradas. Na Universidade de Western Illinois, nos EUA, David Lane e seus colegas fizeram questionários sobre comportamentos desviantes e consequências de certas ações. A equipe descobriu que pessoas com alto autocontrole tinham maior probabilidade de tentar escapar de penas por dirigir perigosamente e trapacear em testes, em comparação com pessoas com menos autocontrole. Mais uma vez, as pessoas mais "autocontroladas" pareciam estar avaliando cuidadosamente as normas sociais, e aderindo a elas quando a transgressão pudesse ser mais prejudicial à sua reputação. Máquinas de extermínio Até agora, falamos de atos morais questionáveis. Mas dependendo do contexto, uma forte força de vontade pode contribuir também para atos de crueldade. Em um estudo macabro, Thomas Denson, psicólogo da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, convidou participantes ao laboratório para... colocar insetos em um moedor de café. Sem que os participantes soubessem, a "máquina de matar" foi construída para permitir que os insetos escapassem antes de serem mortos, mas o moedor ainda emitia um grunhido desconcertante conforme os insetos passavam pela máquina. Foi dito que o objetivo era compreender melhor certas "interações entre humanos e animais" — uma justificativa que possivelmente tornou o ato mais socialmente aceitável para os participantes. Para os participantes que demonstravam maior autocontrole, aumentou significativamente o número de insetos que eles estavam dispostos a matar. Eles pareciam mais dispostos a atender ao pedido dos cientistas e tinham maior capacidade de superar qualquer sentimento de aversão à tarefa, tornando-os assassinos mais eficientes. Os participantes do La Zone Xtrême mostraram um padrão de comportamento muito parecido, mas em escala bem maior. O jogo francês foi inspirado nos polêmicos experimentos de Stanley Milgram na década de 1960 que testaram se os participantes estariam dispostos a torturar outra pessoa com choques elétricos em nome da ciência. O experimento de Milgram foi conduzido para mostrar a obediência inabalável das pessoas à autoridade. Depois, os pesquisadores franceses quiseram saber que tipos de personalidades eram mais suscetíveis a ela. Eles descobriram que aqueles com maior autocontrole estavam dispostos a descarregar cerca de 100 volts a mais em seus colegas — a ponto destes pararem de gritar, fingindo inconsciência ou morte. Curiosamente, o desejo de agradar aos outros era outro traço de personalidade associado a esse comportamento insensível. "Eles tendiam a eletrocutar mais a vítima, provavelmente para evitar um conflito desagradável com o apresentador de televisão", disse Bègue. "Queriam ser pessoas confiáveis e manter seu compromisso." Em seu artigo, a equipe de Bègue relaciona as descobertas com o estudo feito pela filósofa Hannah Arendt sobre o oficial nazista Adolf Eichmann. Arendt cunhou o famoso termo "banalidade do mal" para descrever como as pessoas ordinárias, como Eichmann, podem cometer atos de grande crueldade. E, de acordo com a pesquisa de Bègue, os traços que levam as pessoas a agirem de forma imoral podem ser não apenas ordinários, como desejáveis em várias situações. Afinal, são pessoas em "conformidade" normalmente as melhores candidatas a empregos e a cônjuges. Consequências no ambiente de trabalho Bègue enfatiza que sua pesquisa precisa ser replicada antes que possamos tirar conclusões mais genéricas sobre a natureza humana. Entretanto, é interessante especular se características como alto autocontrole podem prever o envolvimento de alguém em atos cotidianos imorais, de pequenos a grandes. Para Lane, tudo dependeria da força das normas sociais. E há algumas evidências para apoiar isso: por exemplo, a evasão fiscal aumenta com o escrúpulo. Enquanto isso, no ambiente de trabalho, funcionários exemplares também podem ser aqueles que roubam da empresa sob a ideia de que ninguém dará falta do dinheiro. Uziel, por sua vez, suspeita que alguém com alto autocontrole tem mais probabilidade de agir impiedosamente quando a coesão do grupo começa a desmoronar, incluindo momentos em que seu próprio senso de poder ou autoridade é ameaçado, ou quando ela se sente em perigo. Nessas condições, por exemplo, tais pessoas podem "apunhalar alguém pelas costas" buscando uma nova promoção; ou curvar-se diante de um chefe sem levar em conta como seu comportamento afetará os outros. Assim, podemos começar a apreciar um pouco mais as pessoas ao nosso redor que são um pouco menos disciplinadas e obedientes do que as outras. Elas podem nos decepcionar com sua falta de confiabilidade, mas pelo menos no jogo La Zone Xtrême seriam o tipo de pessoa que você gostaria de ter em seu caminho. Leia a história original em inglês na BBC WorkLife Veja VÍDEOS sobre Ciência e Saúde:
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