Ciência e Saúde
Pesquisa observacional de ecocardiogramas de 1.216 pacientes concluiu que mais da metade apresentou anormalidades no coração. O exame, contudo, é feito provavelmente em quem já apresentava indicação clínica de complicações cardíacas. Para pesquisador, estudo pode indicar oportunidade de melhorar o atendimento a pacientes com Covid-19 Reuters A Covid-19 pode afetar o coração das pessoas hospitalizadas com a doença, segundo um novo estudo da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido. Os pesquisadores analisaram ecocardiogramas de mais de 1,2 mil pacientes em 69 países entre 3 e 20 de abril. Descobriram que mais da metade de todos os pacientes em quem o exame foi feito apresentaram anormalidades no coração (55%), e que essas anormalidades eram severas em 1 entre 7 pacientes. Mais de um terço dos pacientes tinham danos nos ventrículos, as câmaras do coração cuja função é bombear sangue para a circulação. Além disso, 3% haviam tido infartos e outros 3%, miocardite, ou inflamação do músculo do coração. Do total dos pacientes, 26% tinham registros de doença cardíaca pré-existente. A maior parte dos pacientes que o estudo levou em conta eram homens (70%), com média de idade de 62 anos. Naqueles sem condição cardíaca pré-existente (a maior parte dos pacientes do estudo, 901 pessoas), o ecocardiograma foi anormal em 46% dos casos, e 13% tinham doença severa. A pesquisa foi observacional, ou seja, feita com um olhar posterior aos dados de pacientes tratados, sem intervenções, e foi publicada no periódico "European Heart Journal - Cardiovascular Imaging". Pode ser acessada aqui (em inglês). Os pesquisadores ressaltaram que, por causa da "logística complexa" da realização de ecocardiogramas, é provável que os exames tenham se limitado àqueles com claras indicações clínicas para tanto, ou seja, em pacientes que já tinham suspeitas de complicação cardíaca — o que pode afetar os resultados do estudo. "O uso de ecocardiogramas provavelmente diminuiu durante a pandemia por causa de preocupações em relação a transmissão viral, e isso pode contribuir para a seleção de pacientes para o exame", diz a pesquisa. Por isso, não se sabe a prevalência de anormalidades naqueles que não fizeram ecocardiogramas. O pesquisador principal do estudo, o professor Marc Dweck, disse ao programa Today, da BBC Radio 4, que a pesquisa sublinha "uma oportunidade muito importante para melhorarmos o atendimento aos pacientes". "Embora esse dano no coração seja potencialmente um problema muito sério para esses pacientes e provavelmente tenha uma influência importante em sua capacidade de sobreviver e se recuperar da doença, agora temos tratamentos muito, muito bons para a insuficiência cardíaca", disse ele. "E assim, se pudermos identificar pacientes da Covid-19 onde haja envolvimento do coração, existe o potencial de oferecer a eles as terapias que podem ajudá-los a melhorar mais rapidamente." Do total dos pacientes analisados no estudo, 26% já tinham registros de doença cardíaca pré-existente Getty Images via BBC A pesquisa também concluiu que a realização dos ecocardiogramas mudou o tratamento ministrado pelos médicos em 33% dos pacientes, às vezes com mudança no tipo de internação do paciente ou com medicamentos para o coração. Metodologia Os ecocardiogramas foram coletados por meio de um questionário online, com 11 perguntas que foram completadas por ultrassonografistas ou médicos depois da conclusão do ecocardiograma. Dados como idade, sexo, comorbidades, severidade dos sintomas, status da Covid-19, presença da pneumonia e o local do hospital onde o exame foi feito foram coletados, além de observações sobre o estado do coração do paciente. O questionário foi distribuído pela rede da EACVI (European Association of Cardiovascular Imaging, ou associação europeia de ultrassonografia cardiovascular) para a base de dados de cardiologistas no mundo e também divulgado nas redes sociais. A maior parte dos exames foi feita em países que tiveram alto número de casos: Reino Unido, Itália, Espanha, França e Estados Unidos. Veja como a Covid-19 pode afetar o coração Initial plugin text
Pesquisadores da Unicamp coordenaram experimentos em laboratório em adipócitos humanos. Ação do vírus é ainda mais eficiente em células envelhecidas. Pacientes idosos foram o primeiro grupo de risco apontado no início do surto, mas com a evolução da pandemia, obesos se tornaram também pacientes de alto risco Wagner Magalhães/G1 Estudo coordenado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sugere que os tecidos adiposos são suscetíveis à infecção pelo Sars CoV-2. Essa seria uma das razões da maior evolução de casos graves de Covid-19 em obesos e idosos. "Temos células adiposas espalhadas por todo o corpo e os obesos as têm em quantidade e tamanho ainda maior. Nossa hipótese é a de que o tecido adiposo serviria como um reservatório para o SARS-CoV-2", explica Marcelo Mori, professor do Instituto de Biologia (IB) e coordenador da pesquisa. "Com mais e maiores adipócitos, as pessoas obesas tenderiam a apresentar uma carga viral mais alta. No entanto, ainda precisamos confirmar se, após a replicação, o vírus consegue sair da célula de gordura viável para infectar outras células". Os experimentos são feitos em laboratório com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Outro ponto, de acordo com o estudo, é que a infecção na célula de gordura é mais eficiente quando ela está mais envelhecida - os cientistas usaram radiação ultravioleta para "mudar a idade" das células. Ao medir a carga viral 24 horas depois, ela estava três vezes maior, o que sugere a gravidade em pacientes idosos. "Usamos a radiação UV para induzir no adipócito um fenômeno conhecido como senescência, que ocorre naturalmente com o envelhecimento. Ao entrarem em senescência, as células expressam moléculas que recrutam para o local células do sistema imune. É um mecanismo importante para proteger o organismo de tumores, por exemplo", explica Mori. É importante ressaltar que o estudo ainda não foi publicado e deverá ser ampliado pelos pesquisadores. Outros fatores contribuem para uma maior suscetibilidade de casos graves em idosos e obesos, como o fato de serem mais acometidos por doenças crônicas, diabetes, hipertensão, por exemplo. *Com informações da Agência Fapesp. Coronavírus é mais grave para idosos e pessoas com doenças Idosos devem permanecer em isolamento para evitar contrair a Covid-19 Jovens obesos fazem parte do grupo de risco de pacientes com Covid-19 Initial plugin text
A intubação da pneumologista da USP Carmen Valente Barbas abalou a moral de médicos que combatiam coronavírus recém-chegado ao Brasil. Carmen Valente Barbas é conhecida internacionalmente por sua contribuição para o aperfeiçoamento de técnicas de ventilação mecânica Arquivo pessoal/Carmen Valente Barbas Em meados de abril, o conceituado patologista da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Saldiva falava ao vivo na TV sobre a epidemia de Covid-19 quando não se conteve e começou a chorar em frente às câmeras. "Naquela época, tinha gente negando a existência ou minimizando o impacto da doença, então fui dizer para as pessoas se cuidarem porque nós da saúde estávamos pagando um preço alto. Aí lembrei-me da Carmen e de outras pessoas queridas e me descontrolei um pouco", diz Saldiva, médico e professor com 40 anos de experiência, à BBC News Brasil. Para muitos na comunidade de médicos atuando nos fronts de batalha contra a Covid-19 no país, o choro de Saldiva talvez dispensasse explicação. A notícia da internação da pneumologista Carmen Valente Barbas circulara dentro e fora do Brasil, abalando a moral das tropas na guerra contra um inimigo pouco conhecido. Isso porque a médica dos hospitais das Clínicas e Albert Einstein, pesquisadora e professora com 60 anos de idade e mais de 35 de carreira, é uma sumidade internacional em ventilação mecânica, usada no tratamento de casos graves de Covid-19. Na reportagem a seguir, com depoimentos da própria Carmen Barbas e de colegas, confira a história de como uma mulher que dedicou a carreira a salvar vidas e formar médicos teve sua vida salva pelas técnicas que ajudou a criar - e pelos médicos que treinou. Reconhecimento internacional Filha do também pneumologista e ex-professor da Faculdade de Medicina da USP João Barbas Valente, Carmen seguiu os passos do pai. Ela se formou na USP e ali iniciou, em 1995, seu doutorado em ventilação mecânica. Em 1998, um estudo clínico liderado por ela e pelo colega Marcelo Amato foi publicado na "New England Journal", revista científica americana de grande impacto. Até então, as chances de um paciente com doença pulmonar aguda morrer ao receber ventilação mecânica eram altas. Em sua pesquisa, Carmen e seu grupo levantaram a hipótese de que a própria ventilação pudesse estar danificando o pulmão dos pacientes. "Estávamos estudando a ventilação mecânica em pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, a SDRA", diz Carmem à BBC News Brasil. "Na época, a mortalidade dessa síndrome era 70%, então, todo mundo que trabalhava em terapia intensiva ficava desanimado, porque você ventilava o paciente e 70% deles morriam." Naquele tempo, explica, pacientes com a síndrome eram ventilados com o mesmo volume corrente - o volume de ar que entra e sai do pulmão durante a ventilação mecânica - usado em cirurgias. "Numa cirurgia, quando você faz uma anestesia geral, você intuba e ventila o paciente. Só que o pulmão lesado pela SDRA tem uma complacência mais baixa, ele é mais duro. Quando você colocava volume corrente alto, isso gerava pressões muito altas no sistema respiratório e acabava lesando mais o pulmão." Carmen e seu grupo passaram a ventilar esses pacientes com um volume corrente mais baixo, entre outros ajustes. Ao final do estudo clínico, o número de mortes entre pacientes tratados com a nova técnica caiu para 40%. Em 2000, um grande estudo americano confirmou, também na New England Journal, que a abordagem do grupo da USP era muito melhor. Desde então, o índice de mortes de pacientes com SDRA caiu ainda mais, para 30%. E a equipe liderada por Carmen e Amato ganhou voz internacional, ajudando a transformar a ventilação mecânica no mundo. Carmen Barbas seguiu os passos do pai, também pneumologista Arquivo Pessoal/Carmen Barbas A técnica é conhecida hoje como Ventilação Protetora Pulmonar. "Carmen e sua equipe são um dos líderes na comunidade global (de intensivistas e pneumologistas)", diz à BBC News Brasil o italiano Paolo Pelosi, médico intensivista e professor da Universidade de Gênova, na Itália, colega e amigo da médica há 20 anos. O tratamento de pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é complexo, então são necessárias várias estratégias diferentes, explica. "A técnica proposta por Carmen é parte de um conjunto de abordagens discutidas e aplicadas no mundo." O que Carmen talvez jamais esperasse é que um dia seria salva por essa técnica. Chegada do coronavírus Em março de 2020, médicos brasileiros começavam a se dar conta de que o novo coronavírus era realmente perigoso. "Estudando vírus desde muitos anos, a gente vê que esse novo vírus é muito diferente, muito agressivo, sobrevive em temperaturas muito altas, o que não é normal para vírus respiratórios", diz Carmen. Ela conta que chegou até a escrever um artigo para a Sociedade Paulista de Terapia Intensiva esclarecendo a população sobre o coronavírus. Por sua idade, e por ser hipertensa, Carmen estava no grupo de risco. "Estava tomando todas as medidas preventivas, atendendo pacientes de máscara, não deixando eles chegarem muito perto. Com colegas, fui uma das primeiras a dizer, 'não chega perto, vamos manter distância'. Parei de beijar os colegas, de dar a mão para os pacientes, sempre com o álcool gel pendurado na bolsa." Os primeiros sintomas apareceram no dia 19 de março. "Comecei a ter um pouquinho de dor de garganta, um pouquinho de tosse, uma dor no corpo bastante importante." Ela não estava cuidando de pacientes com coronavírus. Mas começou a ficar muito cansada. Gustavo Faissol Janot, chefe da equipe que intubou e cuidou de Carmen durante sua internação na UTI do hospital Albert Einstein Arquivo Pessoal/Gustavo Faissol Janot "Qualquer coisa que eu fazia era uma fadiga absurda. 'Tem alguma coisa estranha acontecendo', eu falei." Carmen foi ao hospital pedir para ser testada. Sem os sintomas clássicos - não tinha febre nem oxigenação baixa - teve de insistir. O teste foi feito no dia 23. O resultado chegou no dia 27: a médica contraíra a Covid-19. "Vi no computador, positivo. Telefonei para os colegas pedindo para ser internada porque eu estava muito cansada." Dilema na UTI Carmen foi para o hospital Albert Einstein, onde trabalha há mais de 30 anos como intensivista. Inicialmente, seu estado não era crítico, então foi encaminhada à enfermaria. Mas como é comum em pacientes com Covid-19, seu quadro se agravou rapidamente. "Fui internada no dia 27 à noite. Dia 29 de manhã já me levaram para a UTI e me intubaram porque eu estava com um quadro de insuficiência respiratória grave." Ela tinha dedicado a carreira aos pacientes, ao ensino e à ciência. Agora, Carmen confiava sua própria vida à técnica que ajudara a desenvolver e aos médicos que treinara. "Fui para a UTI. Os colegas já estavam todos lá, pessoas conhecidas", lembra Carmen. "Quando você está se sentindo mal, quer aliviar aquilo. Eu estava tão desconfortável, com tanta falta de ar, que na hora que fui anestesiada, aquilo me aliviou." Antes de "apagar", diz, ouviu as palavras da anestesista Roseny Rodrigues: "Pode ficar sossegada porque vamos cuidar muito bem da senhora." Na liderança da equipe que iria intubar e cuidar da ventilação mecânica de Carmen estava um ex-aluno de doutorado da médica, o intensivista e clínico geral carioca Gustavo Faissol Janot. Ele trabalha com Carmen há 16 anos. "A Carmen sempre foi nossa grande mentora. Vê-la doente, com necessidade de intubação, foi um dos momentos mais difíceis, senão o mais difícil, da minha carreira", diz Janot à BBC Brasil. A pressão sobre ele foi tão grande que Janot decidiu sair da sala. "Nesse momento, dada minha proximidade com ela, pedi para não estar presente na intubação", diz. "Quando você tem envolvimento emocional com a pessoa, tende a evitar fazer procedimentos invasivos porque isso pode mudar a forma como você faz o procedimento e colocar o paciente em risco", explica. Roseny Rodrigues assumiu a tarefa. Feita a intubação, Janot retornou à UTI. Agora, segundo os preceitos da Ventilação Protetora Pulmonar, era preciso ajustar o respirador para ventilar gentilmente o pulmão da paciente - evitando danos para o órgão - e monitorar cuidadosamente seu progresso, 24 horas por dia. Foi difícil dormir naquela noite, lembra Janot. "Meu pensamento não saía da UTI. Às 3 da manhã, acordei e dei um pulo da cama. Eu tinha sonhado com a Carmen dizendo, 'vai checar meus exames, não vai me deixar'. Então fui ao computador checar os exames da madrugada." Carmen Barbas ao lado do colega e professor da Universidade de Gênova Paolo Pelosi durante encontro internacional de médicos intensivistas no Rio de Janeiro Paolo Pelosi A notícia reverbera no exterior Nesse mesmo domingo, em Gênova, na Itália, o colega e amigo de Carmen Paolo Pelosi recebeu uma mensagem no celular. "Todas as noites, eu conversava com amigos no mundo inteiro para saber como a pandemia estava evoluindo", diz Pelosi. "Na Itália, tivemos Covid-19 25 dias antes dos outros países e eu ficava dando suporte aos colegas." "Então, chegou uma mensagem de um colega no Brasil. Já era quase meia noite: Carmen foi internada e vai ser intubada. Uau, como assim?", lembra Pelosi. "Quando você trata um paciente, é como se estivesse protegido, aquilo não vai atingir você. É um recurso psicológico, uma atitude que te permite reagir àquela situação", explica. "Mas quando acontece com uma amiga e colega, é como se estivesse acontecendo com você." Gustavo Janot tenta explicar o sentimento de consternação que tomou conta de muitos médicos - entre eles, o experiente Paulo Saldiva, ex-professor de Carmen, que se emocionara no programa de TV: "Primeiro, pela pessoa que ela é, de bom coração, incansável em ensinar e ajudar", diz. "Segundo, pelo que ela representa na ventilação mecânica. Terceiro, porque ela é uma de nós. E nós, médicos, na linha de frente, todos ficamos com medo." Com a experiência adquirida em mais de 30 anos de prática e pesquisa, Carmen Valente era preciosa demais para as equipes de médicos que brigavam na linha de frente contra a Covid-19. E ninguém podia contar com ela agora. "Quem não queria poder perguntar para ela o que fazer naquela hora?", diz Janot. "Hoje, temos uma experiência de meses. Não só nossa, mas dos europeus, americanos, canadenses. Há uma grande troca de informações na comunidade científica nesse sentido", explica. "Muitas revistas de alta relevância científica liberaram o conteúdo de Covid-19 de graça, então hoje é muito fácil você ter acesso a informações que podem mudar o cuidado na linha de frente." Carmen Valente saiu da ventilação mecânica após uma semana, mas continuou internada mais 18 dias. Nesse período, choveram mensagens aliviadas. Uma madrugada, recebeu visita do colega e amigo Marcelo Amato, que vinha acompanhando seu caso de perto. "Me lembro que já estava extubada, ele apareceu de madrugada e ficou conversando comigo. Me contou dos colegas internacionais que tinham mandado mensagens. Tem um médico que sempre ajudou a gente, trabalha nos EUA, mora em Miami. Ele (Amato) falou que ele (o colega americano) chorava que nem criança quando soube que eu estava intubada pelo coronavírus." "Nossa, chorou?", foi a resposta de Carmen. Ela ainda não entende tanta emoção entre os colegas. "Quando acordei, estava na semi-intensiva, tocou meu telefone no vídeo. Era um pós-graduando meu que tem mais de 40 anos. Ele chorava, 'que bom que a senhora está viva!'. 'Nossa, mas não precisa chorar desse jeito!'" De volta ao trabalho Carmen recebeu alta do hospital no dia 20 de abril. No início de junho, sem apresentar sequelas, mas ainda fazendo fisioterapia, voltou ao trabalho. Ela diz que não sabe como contraiu a Covid-19, mas não acha que foi durante atendimento. "(Acho que peguei o vírus de) alguém que estava contaminado assintomático e que chegou muito perto, ou dentro do elevador no hospital", conta. Por isso, todo cuidado é pouco. Ela está atendendo pacientes com coronavírus, mas usa todos os equipamentos de proteção individual, os EPIs. "Eles (os cientistas) não têm certeza se a defesa que você adquire depois que fica doente é permanente e se ela te defende se você tomar uma carga muito alta (do vírus)." "Às vezes, chego nos lugares e as pessoas vêm para me beijar. Eu digo, não. 'Como não, você já teve!' Mas até a gente ter certeza das coisas, vamos manter o isolamento." Carmen brinca, dizendo que ficou "meio neura" depois do seu encontro com o coronavírus. "Acho que o grande problema desse vírus é a gente não saber onde ele está", reflete a médica. "A gente não sabe onde estão os assintomáticos, o grande perigo são os assintomáticos que estão positivos. Estão circulando. A gente tem que fazer testagem, diagnosticar quem está portador do vírus e essas pessoas ficarem isoladas por 14 dias até diminuir a transmissão." Enfrentamento à Covid-19 no Brasil Convidada a opinar sobre políticas de combate à pandemia no Brasil, Carmen fez algumas recomendações. Primeiro, precisamos esclarecer a população. "Os serviços de imprensa e o governo têm que ser muito transparentes. A gente vê que está acontecendo algum problema. Não estão querendo ver a realidade das coisas", diz. "É muito importante ver a realidade das coisas e ser transparente." "A população precisa entender que tem um vírus que é altamente infectante, que 5% vão evoluir para a intubação. Só 5%." "Acho que isso tranquiliza a população. Mas a população precisa saber que está passando a doença." Com a população fazendo a sua parte, resta organizar melhor o atendimento e treinar os profissionais, começando com a triagem dos doentes. "O paciente que está com dor no corpo e com febre não precisa ficar internado, só precisam ficar internados os 15% que têm esse quadro respiratório mais grave", explica. O próximo passo é formar as equipes que vão intubar e ventilar os 5% desse grupo que vão precisar ir para a UTI. "A gente precisa de pessoas que saibam intubar, que são os anestesistas - todo hospital tem anestesista que intuba para procedimento cirúrgico, então eles poderiam ajudar as equipes do Pronto Socorro e da Terapia Intensiva na hora de intubar", sugere. "Também precisamos dos radiologistas para fazer ultrassom de tórax e tomografia para detectar quem está com a doença pulmonar." Finalmente, é preciso treinar os médicos das UTIs. "E temos de treinar os intensivistas. Precisam saber que a coisa é séria e que tem algumas coisas que precisam ser feitas para evitar lesão pulmonar", explica. Carmen diz que tanto no Hospital das Clínicas quanto no Albert Einstein a mortalidade entre intubados — o dado é de junho — estava abaixo de 20%. "Você consegue aprender se tiver treinamento. Precisa ter essa boa vontade, de treinar", conclui. Entenda quais pacientes que necessitam de ventiladores mecânicos no tratamento da Covid-19 Initial plugin text
Pesquisadores querem desvendar possível transmissão vertical e o motivo de eventual piora ou maior gravidade da doença devido à gestação. Foto de arquivo de bebê prematuro internado no Caism da Unicamp, em Campinas. Reprodução/EPTV A Unicamp está coordenando um estudo nacional para entender possíveis impactos do coronavírus na gravidez. A ideia é monitorar gestantes que testaram positivo para Covid-19 ou apresentaram sintomas gripais até o parto, coletando amostras de tecidos biológicos e fluídos para identificar onde há presença viral. Uma das perguntas que os cientistas querem responder é sobre a possibilidade de transmissão vertical e, caso ela ocorra, quais riscos oferece aos bebês e às mães. De acordo com Maria Laura Costa do Nascimento, professora do departamento de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e responsável pela pesquisa, apesar de a gravidez não parecer aumentar o risco de infecção pela Covid-19, há dúvidas sobre uma eventual piora do quadro ou maior gravidade ou mortalidade devido à gestação. "As principais complicações descritas durante a gestação com infecção por Covid são: parto pré termo, aumento das taxas de cesárea, rotura prematura de membranas e sofrimento fetal", detalha a pesquisadora. No Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism), na Unicamp, o grupo monitora 20 gestantes com diagnóstico de Covid-19. Entre elas, seis já tiveram todas as coletas de material biológico, ou seja, já realizaram o parto. Caism, o Hospital da Mulher da Unicamp, em Campinas. Reprodução/EPTV No Caism, um dos casos foi de parto prematuro, de 34 semanas, mas tanto a criança quanto a gestante passam bem - a mãe já recebeu alta, inclusive. Em Campinas, entretanto, uma mulher de 30 anos, com diagnóstico positivo para Covid-19, morreu logo após o parto - o caso não ocorreu na Unicamp. Para avaliar os possíveis impactos da Covid, os pesquisadores farão coletas de dados e exames do diagnóstico da doença até a fase de amamentação. Para diagnosticar a doença, além da coleta do SWAB, os cientistas fazem a coleta de sangue, urina e fezes da gestante. Depois, durante o parto, são retiradas amostras de placenta, liquido amniótico e sangue do cordão. Posteriormente, são retirados para análise o leite materno e amostras dos bebês. A proposta integra a Rede Brasileira em estudos do COVID-19 em Obstetrícia (Rebraco), foi apresentada em maio e prevê uma avaliação de dados coletados durante três meses em 17 diferentes centros e maternidades espalhados pelo Brasil. A coleta de amostras biológicas, devido a especificidade e necessidades técnicas de armazenamento e testagem, com laboratórios de biossegurança para manipulação do vírus, não serão realizados em todos os centros participantes. Em outros, serão feitos questionários para obtenção de informações das gestantes. Problema no Caism da Unicamp começou na segunda-feira (11) Reprodução/EPTV Centros participantes Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti - CAISM/Unicamp, Campinas/SP Faculdade de Medicina de Jundiaí - HU/FMJ, Jundiaí, SP Hospital Estadual de Sumaré - HES, Sumaré/SP Universidade Federal de Pernambuco - HC/UFPE, Recife/PE Universidade de São Paulo - USP/Ribeirão Preto, Ribeirão Preto/SP Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP/EPM, São Paulo/SP Universidade Federal do Ceará - MEAC/UFC, Fortaleza/CE Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre/RS Instituto Fernandes Figueira - IFF/Fiocruz, Rio de Janeiro/RJ Hospital Moinhos de Vento-HMV, Porto Alegre Universidade Federal do Paraná - HC/UFPR - Curitiba/PR Hospital UNIMED - UNIMED/BH, Belo Horizonte/MG Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR/Santa Casa de São Carlos, São Carlos, SP Hospital Regional Jorge Rossmann - Instituto Sócrates Guanaes-Itanhaém, SP Universidade Federal de Minas Gerais - HC/UFMG, Belo Horizonte/MG Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo - FMB/UNESP, Botucatu/SP Maternidade Climério de Oliveira - MCO-UFBA, Salvador/BA Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus Arte/G1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no G1 Campinas
País tem 72.153 mortes por coronavírus e 1.866.416 infectados. O Brasil tem 72.153 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta segunda-feira (13), segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja os números consolidados: 72.153 mortes 1.866.416 casos No domingo (12) às 20h, o balanço indicou: 72.151 mortes, 659 em 24 horas; e 1.866.176 casos confirmados, 25.364 em 24 horas. Desde então, GO e RR atualizaram seus dados. Progressão até 12 de julho Os dados do último balanço, da noite de domingo (12), indicam que média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias até então foi de 1.036 por dia, uma variação de 4% em 14 dias. No total, 9 estados mais o Distrito Federal apresentaram alta de mortes: PR, RS, SC, MG, DF, GO, MS, MT, TO e PB. Veja a seguir: Estados e DF Veja como o número de novas mortes tem variado nas últimas duas semanas, considerando os dados até o consolidado de 12 de julho : Subindo: PR, RS, SC, MG, DF, GO, MS, MT, TO e PB Em estabilidade: ES, SP, AM, RO, RR, AL, BA, CE, MA, PE, PI e SE Em queda: RJ, AC, AP, PA e RN Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da epidemia). Evolução dos casos de coronavírus Guilherme Almeida/G1 Sul PR: +76% RS: +90% SC: +53% Sudeste ES: -11% MG: +63% RJ: -18% SP: 0% Centro-Oeste DF: +85% GO: +61% MS: +57% MT: +31% Norte AC: -38% AM: -9% AP: -22% PA: -24% RO: +9% RR: -7% TO: +106% Nordeste AL: -1% BA: +5% CE: -7% MA: -3% PB: +26% PE: -15% PI: +3% RN: -31% SE: +15% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Initial plugin text
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