Ciência e Saúde
Agência dos EUA disse que suas estatísticas corroboram com as do Inpe e que no Pará e no Amazonas os principais focos estão localizados às margens das rodovias. Queimadas na Amazônia - Foto aérea mostra fumaça em trecho de 2 km de extensão de floresta, a 65 km de Porto Velho, em Rondônia, em 23 de agosto de 2019 Carl de Souza/AFP A agência espacial americana (Nasa) disse que 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia brasileira desde 2010. Segundo texto publicado na noite desta sexta-feira (23) e divulgado em sua conta no Twitter, é "perceptível o aumento de focos de queimadas grandes, intensas e persistentes ao longo das principais rodovias no centro da Amazônia do Brasil". Queimadas e desmatamento estão relacionados na Amazônia O que se sabe sobre a evolução das queimadas na Amazônia Queimadas aumentam 82% em relação ao mesmo período de 2018 Amazônia concentra metade das queimadas em 2019 Initial plugin text "Os satélites são frequentemente os primeiros a detectar os incêndios em regiões remotas da Amazônia", disse Douglas Morton, diretor do Laboratório de Ciências Biosféricas do Goddard Space Flight Center, da Nasa. Segundo os cientistas, a atividade das queimadas na floresta brasileira "varia consideravelmente de ano para ano e de mês para mês", influenciada pelas mudanças econômicas e climáticas. No entanto, a agência espacial explica em seu post no blog "Earth Observatory" que "apesar de a seca ter desempenhado um papel importante na intensificação dos incêndios em outras ocasiões, o momento e a localização das queimadas detectadas no início da estação mais seca de 2019 estão mais ligados ao desmatamento do que à seca regional". Gráfico produzido pela Nasa, com dados dos sensores do Modis, mostra a comparação de focos de queimada em 2019 com os anos de 2012 a 2018 Nasa Considerando a região da Amazônia brasileira, a Nasa diz que em 2019 as detecções de focos ativos de queimadas são as maiores em comparação com qualquer ano desde 2010. "O estado do Amazonas está caminhando para uma atividade recorde de queimadas em 2019". Morton ressaltou, ainda, que as estatísticas distribuídas pela Nasa estão condizentes com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "O Inpe também usa dados de focos ativos registrados pelos sensores Modis da Nasa para monitorar a atividade de queimadas na Amazônia brasileira", disse ele. "Como resultado, a Nasa e o Inpe têm as mesmas estimativas de mudanças nas atividades recentes de queimadas. As detecções do Modis são mais altas em 2019 do que no mesmo período de qualquer ano em todos os sete estados que compreendem a Amazônia brasileira." Focos de queimadas detectados pelos sensores Modis da Nasa entre 15 e 22 de agosto de 2019 Nasa O mapa divulgado nesta sexta (veja acima) mostra os focos de queimadas detectados pelos satélites Terra e Aqua, e apresentados em laranja. Os pontos em branco são cidades, os pontos cinzas representam o Cerrado, e as florestas são as áreas em preto. "Nota-se que as detecções de queimadas nos estados brasileiros do Pará e do Amazonas se concentram em faixas ao longo das rodovias BR-163 e BR-230", diz a Nasa. Imagem de satélite registrada na segunda-feira (19) e divulgada nesta sexta (23) pela Nasa mostra foco de queimada em Novo Progresso (PA) Nasa A Nasa também afirmou que foi possível localizar focos de incêndio próximos de rodovias brasileiras e perto de cidades. A agência divulgou uma imagem de satélite (imagem acima) que mostra o município de Novo Progresso, no Pará. "O município está localizado ao longo da BR-163, uma rodovia que corta o Norte ao Sul e conecta fazendeiros do sul da Amazônia com um porto com acesso ao oceano no Rio Santarém, na Amazônia", explicou a agência. "Pastos e terra cultivada estão aglomerados em torno da rodovia em pedaços de terra retangulares e ordenados", continuou o texto. "Ao oeste da rodovia, estradas sinuosas conectam uma série de minas de pequena escala que se estendem floresta adentro." Como a Nasa mede as queimadas? Desde 2002, a ferramenta principal de detecção da Nasa são os instrumentos do Modis, o Espectroradiômetro de Resolução Moderada de Imagens. Trata-se de um equipamento capaz de medir o comprimento e a onda de luz instalado nos satélites Terra e Aqua; Desde 2003, esses sensores fazem observações diárias ao redor do planeta de anomalias térmicas, que geralmente representam incêndios; Esses dados são processados e representados em um mapa de detecção pelo Firms, o Sistema de Informação sobre Incêndios para a Gestão de Recursos, criado por um programa de ciências aplicadas da Nasa em parceria com a Universidade de Maryland; Segundo a Nasa, o sistema Firms oferece informação quase em tempo real para pesquisadores e gestores de recursos naturais. Dados do Inpe O aumento no número de focos de queimada no Brasil provocou reações internacionais e protestos contra a política ambiental do governo federal. Na manhã desta sexta-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro disse que a "tendência" é que o governo federal envie as Forças Armadas para combater os incêndios na região amazônica. Veja abaixo os principais dados do Inpe: Initial plugin text
Perfumes mendesiano e metopiano, reconstituídos por pesquisadores, seriam como o 'Chanel n. 5 da época'. Perfumes com mirra eram celebrados no Egito Antigo Pexels Uma fragrância que deixou de ser desfrutada há mais de 2 mil anos voltou a dar o ar da graça no mundo com a reconstituição de um perfume egípcio por pesquisadores. O berço deste aroma do passado é a cidade de Tmuis, no delta do rio Nilo, onde pesquisadores das universidades do Havaí em Mānoa e de Tyumen (Rússia) fazem escavações e estudos há mais de uma década. Os coordenadores do projeto UH Tell Timai, Robert Littman e Jay Silverstein, encarregaram dois especialistas em perfumes do Egito antigo, Dora Goldsmith e Sean Coughlin, de reconstituir fragrâncias a partir de análises químicas de achados arqueológicos e fórmulas preservadas em textos da Grécia Antiga. Os resultados vieram na forma dos perfumes tipo mendesiano e metopiano, os mais desejados naquele período – como o "Chanel n. 5" do Egito Antigo, brincou Littman. Estas fragrâncias têm como material de base a mirra, uma resina extraída de várias espécies de árvores pequenas e espinhosas. "Que emoção, sentir um perfume que ninguém sente há dois mil anos e que Cleópatra poderia ter usado", comemorou Littman em um comunicado à imprensa, fazendo referência à última governante do Egito antes da ascendência dos romanos, que viveu de 69 a.C. a 30 a.C. Os perfumes reconstituídos pelos pesquisadores têm como material principal a mirra Pixabay Goldsmith e Coughlin, pesquisadores na Alemanha, foram mais cautelosos e, em entrevista à BBC Arabic (o serviço de notícias em árabe da BBC), disseram nunca ter reivindicado que o perfume tenha sido usado por Cleópatra. Segundo eles, não há provas disso. "O que dissemos é que nosso experimento é o mais próximo da fragrância original, segundo as práticas científicas atuais", disse Goldsmith, acrescentando que ela e sua equipe continuarão tentando alcançar uma versão mais próxima dos perfumes de Tmuis. Silverstein também falou com a BBC. "Sabemos com certeza que Cleópatra não viveu nesta região do Delta do Nilo, mas ela tinha interesse em perfumes e pode ter usado fragrâncias desta área", explicou. Se não é possível confirmar se Cleópatra usou ou não o perfume há mais de 2 mil anos, pelo menos no mundo de hoje, alguns felizardos – e reles mortais – puderam desfrutar do aroma reconstituído por Goldsmith e Coughlin na exposição da National Geographic Society Queens of Egypt em Washington, a capital americana. 'Fábricas' de perfume do Egito antigo Na primeira fase do projeto UH Tell Timai, escavações revelaram resquícios desta indústria de fragrâncias do Egito Antigo. 'Fábricas' de perfume foram encontradas no local ao longo da última década Reprodução/Facebook/Tell Timai Foi o caso de um vasto complexo de fornos do século 3 a.C. Análises químicas encontraram indícios de que eram usados para fabricar lécitos ou vasos de perfume com argila importada. A descoberta de uma ocupação romana posterior revelou um forno de fabricação de vidro, o que indica a transição do uso da cerâmica para o vidro em recipientes de perfumes. Em 2012, foram encontradas moedas de prata e jóias de ouro e prata perto de um área de trabalho, o que pode indicar que se tratava da casa de um comerciante de perfumes. Atualmente, estão sob análise ânforas antigas encontradas no local de escavação e que podem conter vestígios identificáveis ​​dos líquidos ali produzidos.
Identificado pela primeira vez há uma década, este fungo se tornou um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. A maioria das infecções por Candida auris documentadas no mundo aconteceram em ambientes hospitalares Shawn Lockhart O Candida auris, fungo resistente a medicamentos, só foi descoberto há 10 anos, mas é hoje um dos micro-organismos responsáveis por infecções hospitalares mais temidos do mundo. Foram registrados surtos em várias partes do mundo, e pesquisas recentes sugerem que as temperaturas mais altas, provocadas pelo aquecimento global, podem ter levado a um aumento no número de casos. De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), é necessária uma compreensão melhor de quem são os pacientes mais vulneráveis ao micro-organismo para reduzir o risco de contágio. Confira abaixo tudo o que você precisa saber sobre o "superfungo": 1.O que é Candida auris? O Candida auris (C. auris) é uma levedura, tipo de fungo, que pode causar infecções em seres humanos. Apesar de ser do mesmo gênero que o fungo Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase, são espécies bem diferentes. A candidíase por C. albicans é uma doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais, e é fácil de tratar. Já a infecção pelo C. auris é resistente a medicamentos e pode ser fatal. O fungo foi identificado pela primeira vez, em 2009, no canal auditivo de uma paciente japonesa no Hospital Geriátrico Metropolitano de Tóquio. Na maioria das vezes, as leveduras do gênero Candida residem em nossa pele, boca e genitais sem causar problemas, mas podem causar infecções quando estamos com a imunidade baixa ou quando se provocam infecções invasivas, como na corrente sanguínea ou nos pulmões. 2. Que tipo de doença pode causar? O C. auris costuma causar infecções na corrente sanguínea, mas também pode infectar o sistema respiratório, o sistema nervoso central e órgãos internos, assim como a pele. Essas infecções são geralmente muito graves. Em todo o mundo, estima-se que infecções fúngicas invasivas de C. Auris tenham levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. É com frequência resistente aos medicamentos comuns, o que dificulta o tratamento das infecções. Além disso, o C. auris costuma ser confundido com outras infecções, levando a tratamentos inadequados. Isso significa que o paciente pode ficar doente por mais tempo ou piorar. "Vários hospitais do Reino Unido já tiveram surtos que exigiram o apoio da agência de saúde pública do país (PHE, na sigla em inglês)", diz a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL). "O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil", acrescenta. "Os hospitais do NHS (sistema de saúde público do Reino Unido) que tiveram surtos de C. auris não constataram que (o fungo) tenha sido a causa da morte de nenhum paciente", explicou Colin Brown, microbiologista da agência de saúde pública do país. "A PHE está trabalhando em parceria com o NHS para oferecer atendimento especializado e aconselhamento sobre medidas de controle de infecção para limitar a disseminação do C. auris." 3. Você deve se preocupar em pegar uma infecção? É improvável que você pegue uma infecção por C. auris. No entanto, o risco é maior se você estiver internado em um hospital por um longo período de tempo ou em uma casa de repouso. Além disso, pacientes de unidades de tratamento intensivo têm muito mais chance de contrair uma infecção por C. auris. O risco de ser infectado também é maior se você já tiver tomado muitos antibióticos, uma vez que este tipo de medicação também destrói as bactérias boas que podem impedir a entrada do C. auris. Conforme mostra o mapa, não foi confirmado nenhum caso de infecção no Brasil até agora. Mas como o fungo é difícil de identificar, isso não quer dizer que ele não tenha entrado no país. "Com a globalização e o fato de a doença sobreviver muito tempo em superfícies inanimadas, o risco de a doença chegar ao Brasil é grande", alertou à BBC News Brasil em abril, o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, professor da Unifesp e especialista em contaminação com fungos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, cada vez mais países estão relatando casos de infecções por C. auris. A maioria das nações europeias já reportou algum caso. No Reino Unido, cerca de 60 pacientes foram infectados desde 2013. 4. Por que o C. auris é resistente aos medicamentos usuais? A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes. Isso significa que essas drogas não funcionam para combater o C. auris. Por causa disso, medicações fungicidas menos comuns têm sido usadas para tratar essas infecções, mas o C. auris também desenvolveu resistência a elas. Análises de DNA mostram que os genes de resistência antifúngica presentes no C. auris são muito semelhantes aos encontrados no C. albicans. Isso sugere que esses genes passaram de uma espécie para outra. 5. Como as mudanças climáticas podem ser responsáveis ​​pelo alto número de infecções? Um estudo recente, publicado na revista científica mBio, da Sociedade Americana de Microbiologia, indica que as infecções por C. auris podem ter se tornado tão comuns porque essa espécie foi forçada a viver em temperaturas mais altas devido às mudanças climáticas. A maioria dos fungos prefere temperaturas mais baixas encontradas no solo. Mas, à medida que as temperaturas globais aumentaram, o C. auris foi forçado a se adaptar a temperaturas mais altas. Isso pode ter facilitado o desenvolvimento do fungo no corpo humano, que é quente, com temperatura em torno de 36°C e 37°C. 6. O que pode ser feito para reduzir o número de infecções? Uma compreensão melhor de quem corre mais risco de contrair uma infecção por C. auris é o primeiro passo para reduzir o número de casos. Profissionais de saúde precisam entender que pacientes que passam longas temporadas em hospitais, lares de idosos ou que têm o sistema imunológico debilitado apresentam um risco elevado. Nem todos os hospitais identificam o C. auris da mesma maneira. Às vezes, o fungo é confundido com outras infecções fúngicas, como candidíase comum, o que leva a um tratamento inadequado. Melhorar o diagnóstico vai ajudar a identificar os pacientes com C. auris mais cedo, o que significa oferecer o tratamento correto – prevenindo a disseminação da infecção para outros pacientes. O C. auris é muito resistente e pode sobreviver em superfícies por um longo tempo. Também não é possível eliminá-lo usando os detergentes e desinfetantes mais comuns. É importante, portanto, utilizar os produtos químicos de limpeza adequados para eliminá-lo dos hospitais, especialmente se houver um surto.
Enquanto especialistas defendem parto humanizado e acesso a informação para evitar riscos de cesáreas desnecessárias, projeto aprovado em SP garante a gestantes opção pelo parto cirúrgico no SUS sem recomendação médica. Brasil vive epidemia de cesáreas, segundo levantamentos Hospital Universitário de Jundiaí/Divulgação Na contramão de recomendações internacionais, o Brasil vive uma epidemia de cesáreas com uma taxa de mais de 55% de partos cirúrgicos. O país só perde para a República Dominicana neste ranking. Porém, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas entre 10% e 15% dos nascimentos há a necessidade de uma cesariana por motivos médicos. Em comparação com a Europa, os índices brasileiros também são bastante elevados, até mesmo entre países que lideram esse ranking na região, como a Alemanha, onde há uma taxa de 30,5% de cesarianas, ou o Reino Unido, com 27,8%. Já na França, a cesariana é realizada em 19,6% partos, na Noruega, em 16,1%, na Suécia, em 17,4%, e na Dinamarca, em 19,5%. Essa chamada epidemia de cesáreas é debatida há anos no Brasil. Na semana passada, no entanto, um projeto aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo trouxe à tona novamente a discussão sobre a cesariana no país, que, apesar de ter se tornado um procedimento cotidiano em nascimentos, pode trazer complicações tanto para mães quanto para os bebês. Proposto pela deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) e tramitando em regime de urgência, o projeto garante a gestantes a possibilidade de optar pelo parto cirúrgico no SUS, a partir da 39ª semana de gestação, mesmo sem recomendação médica. Aprovado por 58 votos a favor e 20 contra, o projeto ainda precisa ser sancionado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Apesar de na rede pública ainda predominar o parto natural, 40% dos partos ocorrem por meio de cirurgias, índice bem superior do que os até 15% recomendados pela OMS. Na rede privada, o índice de cesáreas chega a 84%. Caso entre em vigor, especialistas temem que a medida impulsione indiscriminadamente o procedimento no SUS no Estado. Para a especialista em saúde da mulher Silvana Granado, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o projeto de autoria da deputada Janaína Paschoal ignora evidências científicas sobre esse procedimento. "Políticas públicas deveriam ser feitas com base em informações técnicas e debates nos diferentes setores. A cesariana é uma cirurgia de grande porte, que, como qualquer outra cirurgia, acarreta riscos e precisa ter indicação clínica", afirma. Medo da dor, falta de informação sobre os riscos de uma cesariana e preferência do próprio médico por cesarianas devido à comodidade de planejar o nascimento e à rapidez do procedimento são alguns dos fatores que ajudam a explicar a banalização do parto cirúrgico e a epidemia de cesáreas no país. Segundo Granado, que também é coordenadora adjunta da pesquisa Nascer no Brasil, o papel do médico é fundamental para a decisão sobre o tipo do parto. "Precisamos desmistificar a ideia de que são as mulheres que escolhem as cesáreas", ressalta. A especialista destaca que a pesquisa Nascer no Brasil, realizada entre 2011 e 2012, mostrou que, na rede privada, apenas 36% das mulheres desejam a cesariana no início da gestação, porém, ao longo do pré-natal, elas foram mudando de ideia de acordo com a assistência que vinham recebendo e, ao final da gestação, a preferência pela cesárea chegava a 67%. 'Ditadura do parto normal' Ao defender o projeto, Janaína Paschoal afirmou haver uma "ditadura do parto normal" na rede pública e usou o argumento da dor e de supostos riscos do parto natural, contrariando estudos existentes. A comunidade científica ressalta que, quando necessária, a cesárea pode salvar vidas de mães e bebês, porém, se realizada sem recomendação médica, apresenta riscos desnecessários tanto para mãe quanto para o bebê. Diversos estudos já indicaram que as cesarianas aumentam o risco de hemorragia e infecções em mulheres, podendo levar à morte. Além disso, aumentam as chances de óbito fetal sem causa aparente em gravidezes futuras e de formação anormal da placenta. Em relação aos bebês, pesquisas recentes mostram que aqueles que nasceram por cesárea apresentam um risco maior de ter infecções, de desenvolver alergias e asma e de sofrer com excesso de peso. Ainda não se sabe como exatamente o nascimento cirúrgico está ligado a essas doenças, porém, pesquisadores têm certeza de que o tipo de parto é um dos fatores que influencia essas enfermidades. Janaína Paschoal também defendeu o projeto como medida para evitar a violência obstétrica sofrida pelas gestantes no SUS. Uma pesquisa nacional realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2010 revelou que um quarto das mães brasileiras sofreu violência física ou psicológica durante o parto. Parto humanizado Granado reconhece que, ao optar pela cesárea, a mulher fica menos exposta à violência obstétrica. A especialista, porém, destaca que a adoção generalizada do procedimento cirúrgico não é a solução para acabar com esse drama vivido por milhares de gestantes no país. "A solução é a redução das intervenções desnecessárias e a humanização do parto", afirma Granado. Medidas simples, como garantir o direto de ter um acompanhante de sua escolha durante todo o parto e posterior internação, preservar a privacidade da mulher ou utilizar métodos naturais para alívio da dor – incluindo banho quente, alongamento e massagens – já contribuem muito para proporcionar às mulheres melhores condições para o parto. Para reduzir o número de cesáreas, a OMS recomenda, entre outros, um trabalho educacional sobre os tipos de nascimentos, com cursos para mães e casais, treinamentos de relaxamento, e programas para gestantes que sofrem com ansiedade e que têm medo da dor. A organização recomenda ainda a adoção de diretrizes clínicas internacionais para o parto cirúrgico e a exigência de uma segunda opinião médica sobre a necessidade do procedimento. Melhorar as condições do parto natural também são fundamentais para evitar cesarianas, aponta a OMS.
Queimadas provocaram aumento no número de pessoas buscando socorro médico, diz diretor de hospital em Rondônia. Fumaça de incêndios florestais ataca pulmões e coração. Pesquisadores brasileiros expuseram células pulmonares à fumaça: em casos extremos, isso levou ao câncer Greenpeace Há quatros dias, Maycon, de 4 anos, está internado no Hospital Infantil Cosme e Damião, em Porto Velho (RO). O motivo é uma crise de asma provocada pela fumaça das queimadas que cobre a cidade desde a semana passada. "No domingo, ele começou a passar mal, ficou com a respiração difícil e falta de ar. Viemos correndo para a emergência e já internaram. Agora ele está melhor, tomando antibióticos e fazendo inalação", conta a mãe do garoto, a dona de casa Maricelia Passos Damásio, de 31 anos. Preocupada com a saúde do filho, ela acrescenta que a médica só não deu alta ainda por conta da continuidade dos incêndios. "Como a névoa de fumaça se mantém muito forte por aqui, ela acha que vamos sair e voltar no dia seguinte." O pequeno Maycon não é o único atingido. As queimadas que destroem áreas verdes do Brasil há mais ou menos duas semanas, sobretudo nas regiões Norte e Centro-Oeste, têm levado muita gente para os centros médicos. No próprio Hospital Infantil Cosme e Damião, que atende a todo o estado de Rondônia, o diretor-adjunto Daniel Pires de Carvalho diz que foram realizados 120 atendimentos de crianças com problemas respiratórios de 1 a 10 de agosto, e 380, de 11 a 20. "Moro em Porto Velho há 20 anos, e esse, com certeza, é o pior período de incêndios. Em alguns dias, não conseguimos nem ver o sol. Isso, aliado ao tempo seco, tem causado muitos problemas de saúde na população", complementa o médico. Por que queimadas prejudicam a saúde? A saúde humana é afetada pelas queimadas porque a fumaça proveniente dela contém diversos elementos tóxicos. O mais perigoso é o material particulado, formado por uma mistura de compostos químicos. São partículas de vários tamanhos e as menores (finas ou ultrafinas), ao serem inaladas, percorrem todo o sistema respiratório e conseguem transpor a barreira epitelial (a pele que reveste os órgãos internos), atingindo os alvéolos pulmonares durante as trocas gasosas e chegando até a corrente sanguínea. Outro composto prejudicial é monóxido de carbono (CO). Quando inalado, ele também atinge o sangue, onde se liga à hemoglobina, o que impede o transporte de oxigênio para células e tecidos do corpo. "Isso tudo desencadeia um processo inflamatório sistêmico, com efeitos deletérios sobre o coração e o pulmão. Em alguns casos, pode até causar a morte", explica o pneumologista Marcos Abdo Arbex, vice-coordenador da Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Araraquara (Uniara). Consequências da fumaça para o ser humano A lista de problemas provocados pela inalação da fumaça de queimadas florestais é grande. Os mais leves, segundo Carvalho, são dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dificuldade para respirar, dor de cabeça, rouquidão e lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. "Eles variam de pessoa para pessoa e dependem do tempo de contato com a fumaça", comenta. "No geral, ela afeta mais as vias respiratórias, agravando os quadros de doenças prévias, como rinite, asma, bronquite e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Os extremos de idade, ou seja, crianças e idosos, são os que mais sofrem, por serem mais sensíveis", comenta. Arbex acrescenta que as queimadas não só pioram, como também desencadeiam essas mesmas enfermidades, assim como as cardiovasculares, insuficiência respiratória e pneumonia. "Além disso, provocam quadros de alergia e, quando a exposição é permanente, há o risco de desenvolvimento de câncer", indica o médico. Por falar em câncer, o estudo "Queima de biomassa na Amazônia causa danos no DNA e morte celular em células pulmonares humanas", de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e publicado em 2017 na revista científica Nature, constatou que a fumaça aumenta a inflamação, o estresse oxidativo e causa danos genéticos nas células do pulmão. A pesquisa concluiu que "o dano no DNA pode ser tão grave que a célula perde a capacidade de sobreviver e morre ou perde o controle celular e começa a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para câncer de pulmão". Para chegar a este resultado, células do pulmão humano foram expostas a partículas de fumaça coletadas em Porto Velho, uma das cidades mais afetadas pelos incêndios na Amazônia, e analisadas em laboratório. É importante destacar que não são apenas as pessoas que vivem próximas às áreas onde são comuns os incêndios florestais que sofrem com a fumaça. Em situação de queimadas mais intensas, como as que o país vive nas últimas semanas, a névoa provocada pelo fogo pode viajar milhares de quilômetros e atingir outras cidades, estados e até países. Inclusive, há indicações de que foi isso o que ocorreu em São Paulo na última segunda-feira (19). Nesse dia, a união de uma frente fria com resíduos oriundos das queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste do país e na Bolívia e no Paraguai fez com que o céu escurecesse no meio da tarde na capital e no litoral paulista. Durante a tarde, nebulosidade escureceu céu no Centro de Santos, SP João Amaro/G1 Para amenizar os efeitos das queimadas na saúde, alguns cuidados são necessários, como evitar, na medida do possível, a proximidade com incêndios, manter uma boa hidratação, principalmente em crianças menores de 5 anos e idosos maiores de 65 anos, e manter os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas. Também é indicado usar máscaras ao sair na rua, evitar aglomerações em locais fechados, e optar por uma dieta leve, com a ingestão de verduras, frutas e legumes. Fora isso, em caso de urgência deve-se buscar ajuda médica imediatamente. Initial plugin text
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