Ciência e Saúde
Caroline Maduro foi diagnosticada na infância com a forma mais grave de do Transtorno do Espectro Autista. Estima-se que uma a cada 59 crianças tenha alguma característica desta condição, que, em alguns casos, pode envolver episódios de agressividade perigosos. Graça, Carola e Sergio Maduro na casa da família em Petrópolis (RJ) – jovem tem autismo severo Arquivo pessoal Caroline Maduro tem 29 anos, mas as paredes de seu quarto são forradas com placas de espuma coloridas muitas vezes encontradas em cômodos de crianças. Foi o jeito que sua família encontrou para evitar que ela se machuque. Carola, como ela é chamada pelos parentes, tem autismo severo e, desde muito nova, tem crises de agressividade frequentes, que deixaram marcas em seu corpo, principalmente na cabeça. "Um dos nossos maiores desafios é mantê-la íntegra, evitar que faça mal a si mesma", explica sua mãe, a dona de casa Graça Maduro, de 63 anos, à BBC News Brasil. Carola precisa de cuidados constantes também porque tem dificuldades de fala e aprendizado e não consegue se alimentar ou ir ao banheiro sozinha. Sai de casa raras vezes, a maioria delas quando vai ao médico, sempre com a mãe. Para cuidar da filha, Graça teve de abdicar da carreira de professora infantil e assistente social. "Não havia nenhum lugar onde poderia deixá-la enquanto estava trabalhando. Tive de parar. Naquela época, já era difícil. Hoje, as dificuldades continuam as mesmas." A história de Carola evidencia as dificuldades enfrentadas por pessoas diagnosticadas com autismo severo e seus parentes. "Existe muito preconceito", diz Graça. O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido popularmente como autismo, é uma desordem complexa do desenvolvimento cerebral caracterizada por dificuldades na socialização e comunicação, além de padrões de comportamentos repetitivos. Manifesta-se em diferentes níveis. No mais severo, são necessários cuidados por toda a vida — e os pacientes costumam ter outras condições, como deficiência intelectual, transtornos de linguagem, epilepsia ou síndromes genéticas. Segundo um estudo de cientistas americanos, estima-se que, aproximadamente, uma a cada 59 crianças tenha alguma característica do TEA. Não há dados específicos sobre pessoas com o grau mais severo. As paredes do quarto de Caroline Maduro são forradas com placas de espuma, para evitar que ela se machuque Arquivo pessoal Pessoas como Carola têm inúmeras dificuldades no cotidiano. Por isso, o apoio dos parentes é fundamental. Os cuidados incluem tratamento multidisciplinar, intervenções psicoeducacionais e uso de técnicas para desenvolver a linguagem e a comunicação. "Caso o autista grave tenha acesso a tratamento e apoio familiar, pode ter uma vida tranquila. Mas é importante olhar para todos os envolvidos, porque o esforço é constante. Muitas vezes, a família fica cansada ou adoecida com a situação", explica o psiquiatra Fernando Sumiya, colaborador do Programa do Transtorno do Espectro Autista (Protea), que capacita profissionais para lidar com essa condição. Mãe e filha Carola foi adotada quando tinha um 1 e 4 meses. Graça conta que morava próximo da casa da sua mãe biológica e acompanhou a gestação. "Essa mulher tinha perdido o marido quando estava grávida da Carola. Já tinha outros filhos e teve de continuar trabalhando, até o fim da gestação, para sustentar as crianças. Então, o fim de gravidez da Carola foi conturbado", conta. Quando Carola nasceu, Graça diz que a mãe biológica não deu atenção ao bebê. "Ela não tinha os cuidados necessários com a Carola, nem a alimentava direito." Diz que então ela um dia a procurou. "Ela ofereceu a criança como quem oferece uma peça de roupa. Ccabei ficando com a minha filha, talvez por destino." Em seguida, a dona de casa e o marido procuraram a Justiça para formalizar a adoção. "Fiz isso sabendo que existia alguma dificuldade, mas nunca pensei que fosse tão grave. Com 1 ano e 4 meses, ela parecia ter 8 meses. Na época, a gente ouvia falar pouco sobre autismo." Com o passar do tempo, os atrasos de desenvolvimento se tornaram mais evidentes. Quando Carola tinha 7 anos, Graça ouviu de um psiquiatra que a garota era uma "doente mental irrecuperável". "Ele disse que terminaria meus dias visitando minha filha em um manicômio." Segundo estudos, a estimativa é de que, aproximadamente, uma a cada 59 crianças tenha alguma característica de autismo Getty Images Apesar de Graça ter sido orientada por profissionais a internar a filha, nunca aceitou fazer isso. "Sempre soube que não era a saída." Nos primeiros anos, Carola já apresentou dificuldades para caminhar, falar e socializar, mas seu autismo severo só foi diagnosticado aos 8 anos de idade. Como é comum entre diagnósticos deste tipo, também tem outras condições, como Transtorno Opositivo-Desafiador — caracterizado por um comportamento desobediente –, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e epilepsia. "Desde pequena, ela fez acompanhamento médico. O primeiro diagnóstico, por um neurologista, foi de atraso psicomotor. Ela começou a fazer tratamento com fisioterapeuta e fonoaudióloga e conseguiu evoluir bastante", relembra. Família precisou se adaptar Graça era dona de uma escola infantil em Petrópolis, na região serrana no Rio, onde mora até hoje. Carola chegou a estudar ali durante a infância, mas seu comportamento pouco sociável e às vezes agressivo foi um problema. "Tentei primeiro uma escola especial, mas ela não se adaptou. Quando a levei para minha escola, muitos pais não gostaram, porque ela tinha surtos, gritava e assustava os outros alunos", diz Graça. Como ela não encontrou um local para deixar a filha durante parte do dia, enquanto trabalhava, ela fechou sua escola. "Optei por cuidar dela." Carola não foi alfabetizada, em razão de suas dificuldades de cognição. Aprendeu apenas conceitos básicos de cores e numerais. "Mas não outras coisas. Na época, não existia essa obrigatoriedade de ela ser aceita em uma escola." O Ministério da Educação (MEC) afirma em nota à BBC News Brasil que atualmente proporciona meios para que estudantes com autismo frequentem escolas comuns e investe na formação de professores e em "salas multifuncionais" para a inserção destes estudantes em classes comuns do ensino regular. Graça diz que a inclusão no ensino comum continua precária. "Hoje, as escolas são obrigadas a aceitar esse aluno, mas é uma inclusão fictícia. Os professores não conseguem cuidar dele no meio de outras crianças. Alunos com autismo acabam não interagindo com os outros." Carola e o psiquiatra Thiago Coronato, que a acompanha regularmente Arquivo pessoal Após Graça fechar a escola, ela passou a se dedicar à Carola e ao filho caçula, na época com 4 anos, com o apoio de uma cuidadora. Seu marido, que é microempresário, tornou-se o único responsável pelo sustento da casa. A dona de casa afirma ser privilegiada pelo modo como consegue acompanhar a filha. "Tive a oportunidade de cuidar dela sem me preocupar tanto com a situação financeira, por mais que alguns períodos tenham sido difíceis. Podemos tratá-la com médico particular, que nos dá todo o suporte. Sempre a mantivemos confortável, bem alimentada e medicada. Muitos não têm essa possibilidade", diz. O pai de Carola, Sérgio Maduro, diz que a vida da família mudou para que pudessem dar o acompanhamento adequado à filha. "Para que um possa sair, o outro tem de ficar em casa com a Carola. As dificuldades são muitas, porque não temos o apoio de ninguém", diz. Um dos maiores medos da família é que Carola faça mal a si mesma. As placas de espuma foram colocadas no quarto após sucessivas crises de agressividade. "Por muitas vezes, desde a infância, ela bateu a cabeça na parede do quarto com força. Isso sempre nos preocupou", comenta Graça. Segundo ela, Carola já falou diversas vezes em se matar. "Não sei muito bem se ela entende o que é isso, mas sempre tivemos medo de que concretize essa vontade", diz. Carola também costuma dar socos em si mesma e já tentou agredir a mãe. Desde os 9 anos, Carola toma um medicamento antipsicótico, por orientação médica, para controlar as crises. "Nunca entendemos exatamente o que a leva a esses momentos de agressividade. Normalmente, há um gatilho. Às vezes, é alguma dor, mas nem sempre, e acabo não conseguindo identificar o que a incomoda", diz Graça. Essa agressividade está presentes em diversos casos de autismo. Especialistas explicam que a característica pode estar atrelada à condição principalmente quando a pessoa apresenta outros problemas, como o Transtorno Opositivo-Desafiador. "Nem todo indivíduo com autismo é agressivo. Depende muito das comorbidades (os transtornos relacionados) daquela pessoa. Mas, quando há agressividade, é importante contar com uma equipe multidisciplinar, porque é um tratamento que envolve vários profissionais", afirma Sumiya. O tratamento de Carola Não existe medicamento para tratar o autismo. Os remédios atenuam outras dificuldades. No caso de Carola, ela também é medicada para controlar sua epilepsia e distúrbio do sono, que pode fazer com que passe dias sem dormir. O psiquiatra Thiago Coronato, que a acompanha desde 2015, explica que o tratamento se concentra em ajudá-la a dormir e seu comportamento agressivo. "O objetivo é melhorar a cognição dela e a interação com o mundo, além do trabalho de reabilitação psicomotor." Momentos de agressividade estão presentes em diversos casos de autismo. Getty Images Carola também faz tratamentos alternativos, com supervisão médica. Por quase um ano, tomou óleo de canabidiol doado pelo pai de um garoto com autismo que não havia se adaptado ao produto e já havia conseguido autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importá-lo. "Mas não trouxe o resultado positivo que esperávamos, e acabamos não importando", afirma Graça. Carola costumava sentar e andar sozinha até novembro passado, quando foi internada após uma grave crise epiléptica que a acometeu enquanto dormia. "Isso causou uma lesão cerebral, que a prejudicou ainda mais", diz sua mãe. Graça criou uma página no Facebook, chamada "O autismo em minha vida", que tem quase 25 mil seguidores, na qual relata a rotina de Carola. "Comecei a publicar porque a quantidade de autistas no nível da Carola é grande, e a falta de apoio do poder público é imenso. As pessoas passam muitas necessidades, e isso precisa ser falado", diz. Todos os tratamentos e remédios de Carola são custeados pelos pais em razão das dificuldades no Sistema Único de Saúde (SUS) para atender pacientes com autismo. Eles entraram na Justiça para consegui-los gratuitamente. "O atendimento no SUS é muito precário. Depender do atendimento público e ficar aguardando vaga é muito complicado. Quase não existe psiquiatra na rede. Isso acaba deixando as famílias ainda mais transtornadas", pontua Graça. Para Graça, as políticas públicas atuais são ineficientes para atender todas as pessoas com autismo severo. "Há muitos casos como o da minha filha. Com tantas dificuldades, muitos pais internam seus filhos, porque precisam trabalhar, e não há locais adequados que atendam pessoas com autismo. Normalmente, são hospitais psiquiátricos que atendem outros tipos de doenças mentais. Os autistas são tratados como doentes mentais e não recebem o apoio adequado para evoluir." Em nota, o Ministério da Saúde disse à BBC News Brasil que pacientes com autismo são atendidos pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que oferece acompanhamento e avaliações para esses pacientes. "A avaliação multiprofissional é realizada por uma equipe composta por médico psiquiatra ou neurologista e profissionais da área de reabilitação para estabelecer o impacto e repercussões no desenvolvimento global do indivíduo", afirmou a pasta. Segundo o ministério, 2589 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no país que cuidam de pessoas "com transtornos mentais e usuários de álcool e outras drogas". "O objetivo é oferecer acompanhamento de saúde mental e reinserção social, pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários", afirmou a pasta. Graça afirma que a filha estava regredindo antes de ter a crise epiléptica, o que gravou esse quadro. "Ela tem Transtorno Desintegrativo, que faz com que perda habilidades que já conquistou. Hoje, nossa luta é para conseguir fazer com que ela não regrida mais, para que possa ter mais qualidade de vida." Mas, com fisioterapia e tratamentos alternativos, Carola recuperou parte dos movimentos perdidos. Por diversas vezes, Graça se viu esgotada física e emocionalmente, em razão do cuidado intenso com a filha. Mas diz que nunca pensou em desistir de Carola. Diz que continuará a se dedicar integralmente à ela. "Vivo em função dela, porque meu caçula tem 23 anos e se mudou para fazer faculdade. A gente amadurece muito quando passa por isso", afirma. "Muitas vezes ouvi de médicos ou de pessoas próximas que não deveria cuidar dela. Diziam que era loucura abandonar minha vida por ela, que Carola não é minha filha. Mas é, sim. É minha responsabilidade desde o dia em que a adotei, e farei isso até quando Deus quiser."
Documentário disponível on-line reúne depoimentos de quem assumiu o grisalho A primeira cena do documentário “Branco&prata” é bem conhecida da maioria das mulheres: num salão de beleza, é preparada a tintura que será aplicada numa cliente pouco disposta a ostentar a cabeça grisalha. Com direção de Humberto Bassanelli, o filme tem 38 minutos e está disponível on-line desde o fim de setembro. Reúne os depoimentos de diversas mulheres que decidiram parar de pintar os cabelos, mostrando como uma simples opção estética mexe com todos à sua volta. O argumento é de Elca Rubinstein, entrevistada por esse blog há dois anos, que também dá seu depoimento. Enquanto deixava o branco tomar conta, usou uma peruca. “A peruca me resguardava dos comentários das pessoas, dos pedidos para que eu voltasse a tingir os cabelos”, lembra. Numa outra tomada, estão sentadas no sofá a filha, Olga, com a cabeça cor de neve, e a mãe, Sarah – e esta última não esconde sua insatisfação com a situação... A designer de joias Patricia Centurion, que assumiu o branco logo depois dos 40, acabou convencendo a mãe e a avó a fazer o mesmo. No entanto, sentiu o peso de olhares reprovadores nas ruas, como se estivesse abrindo mão da feminilidade. Documentário “Branco&prata”: depoimentos de mulheres que assumiram os fios grisalhos Divulgação A psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler é outra que deixou as tintas há cinco anos. Reconhece que o processo foi libertador, mas longo – “uma travessia”, na sua avaliação. “Meu filho, minha filha e meu genro deram o maior apoio, mas algumas amigas não se conformavam e até houve conhecidos que passaram a se dirigir a mim como ‘senhora’. É interessante porque a aceitação da geração mais nova se contrapõe à reação dos mais velhos, que se defrontam com o próprio processo de envelhecimento. O número de mulheres que assumiram os cabelos brancos aumentou, mas o estranhamento permanece. Curioso é que pessoas desconhecidas se sentem à vontade para fazer comentários sobre a cabeleireira alheia até na rua, ou seja, aquilo acaba se transformando num fato social. Os cabelos brancos criam uma mobilização, é como se descobrissem o véu da velhice, que se quer ocultar a qualquer custo. É um destamponamento. Para a mulher, é um atestado indubitável do seu momento existencial, de se aceitar, por isso é tão libertador, embora não exclua os conflitos que pontuam o contínuo de ser tornar mais velha”, explica. A psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler: “uma travessia” Acervo pessoal Ainda me sinto meio distante desse processo e, a cada duas semanas, me submeto ao pequeno martírio da coloração. O que mais me aborrece é a fase de transição, que leva meses, por isso reuni três depoimentos de mulheres que optaram por caminhos bem distintos para chegar aos cabelos brancos. Mariza Louven foi radical: pediu para a irmã passar máquina 3 e, a partir daí, foi só deixar as madeixas crescerem. “Muita gente estranhou, tive que explicar que não estava doente! Mas acabei de fazer 58 anos, não tenho 20 e sou bastante tranquila em relação à idade. Além disso, é muito mais prático não ter que pintar”, diz. Mariza Louven: máquina 3 para chegar logo aos fios brancos Acervo pessoal Vania Mezzonato conta que já tinha decidido se “assumir” quando completasse 60 anos, o que aconteceu ano passado. Fez mechas descoloridas e numa segunda etapa, descoloriu tudo, mas não deu certo: “ficou louro, aí passei a cortar até chegar à cor natural. Demorou um ano para ficar com o visual que eu pretendia”. Adriana Oliveira, de 51, decidiu manter o corte longo: “na minha opinião, não é o branco que envelhece, e sim o espírito velho, o corpo malcuidado, o estilo de vida sedentário. Há uns dois anos, resolvi não pintar mais. O primeiro passo foi fazer luzes claríssimas no cabelo todo, mas os cabeleireiros sempre me deixavam loura, e não platinada, que é o mais perto do branco. Após muitas tentativas frustradas, consegui chegar a uma cor mais próxima da prata nas pontas e agora o desafio é igualá-las às raízes grisalhas. É preciso ter atitude para ostentar a maturidade sem moderação”. Adriana Oliveira: o desafio de manter os cabelos longos Acervo pessoal
Desde o início da década, o suicídio tira mais vidas nessa faixa etária do que o homicídio entre a população dos Estados Unidos; especialistas brasileiras dizem que geração atual de jovens é mais solitária e menos resiliente. Em 2010, a taxa de mortalidade por suicídio ultrapassou a marca de 10 a cada 100 mil habitantes entre a faixa etária de 10 a 24 anos nos Estados Unidos Pixabay Após dez anos consecutivos de alta, a taxa de mortalidade por suicídio nos Estados Unidos, considerando a faixa etária que abrange desde as crianças de 10 anos até os jovens de 24, ultrapassou pela primeira vez a marca dos dois dígitos. Em 2017, o país registrou 10,6 suicídios a cada 100 mil habitantes. Em comparação, a taxa de homicídios caiu após dois anos de alta, e ficou em 7,9 por 100 mil habitantes. Naquele ano, 6.769 moradores dos EUA nessa faixa etária tiraram suas vidas – 517 deles tinham entre 10 e 14 anos. Os dados foram publicados nesta semana pelo Centro Nacional de Estatísticas da Saúde (NCHS, na sigla em inglês). Pouco falada na universidade, prevenção ao suicídio vira tema de 2 cursos de pós-graduação no Brasil No Brasil, os dados mais recentes são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que estima que, em 2018, 11.314 pessoas de todas as idades cometeram suicídio. A taxa média nacional é de 5,4 a cada 100 mil habitantes. Considerando a população mais nova, entre 2000 e 2012 o aumento foi de 65% entre pré-adolescentes de 10 a 14 anos e de 45% entre adolescentes de 15 a 19. O Ministério da Saúde estimou que, em 2016, o país tenha registrado um caso de suicídio a cada 46 minutos. Suicídio x homicídio O estudo com dados específicos dos Estados Unidos foi feito pelas pesquisadoras Sally C. Curtin e Melonie Heron, da Divisão de Estatísticas Vitais do NCHS. Segundo elas, "a taxa de suicídio entre pessoas de 10 a 24 anos ficou estável entre 2000 e 2007, e depois aumentou 56% entre 2007 e 2017", de 6,8 para 10,6 a cada 100 mil habitantes. Compare acima as taxas de suicídios e homicídios nos Estados Unidos entre crianças de 10 anos e jovens de 24; em 2017, foram 10,6 suicídios por 100 mil habitantes e 7,9 homicídios a cada 100 mil pessoas Ana Carolina Moreno/G1 Os dados foram analisados também entre os três grupos que compõem essa parcela demográfica: as crianças e pré-adolescentes de 10 a 14 anos, os adolescentes de 15 a 19 anos e os jovens de 20 a 24 anos. As pesquisadoras ressaltaram que as taxas de suicídio são mais altas que as de homicídios em todos os três grupos dentro dessa faixa etária, e é atualmente a segunda causa de morte mais frequente em todos eles. No caso dos adolescentes e dos jovens, o homicídio está em terceiro lugar na lista de motivos que mais matam. Já entre as crianças de até 14 anos, a taxa de homicídios caiu 18% desde 2000, e atualmente é a quinta principal causa de morte – as demais causas de morte são, por exemplo, as doenças ou acidentes. Em 2017, 178 pessoas com idade entre 10 e 14 anos foram vítimas de homicídio no país. Gráfico mostra a variação nas taxas de suicídio e homicídio desde 2000 nos EUA para cada faixa etária do estudo Ana Carolina Moreno/G1 Geração da solidão Segundo especialistas brasileiras em suicidologia consultadas pelo G1, os números não são necessariamente surpreendentes porque acompanham uma tendência de vários anos. "[O número] não surpreende, mas ele choca, de a gente poder pensar por que crianças dessa idade estão pensando em morrer", afirmou Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio. O fato de que a taxa de homicídio seja mais baixa entre as crianças, ou esteja em declínio em um país desenvolvido como os Estados Unidos, também segue uma tendência já esperada – a violência urbana costuma ser mais alta entre adolescentes e jovens, por exemplo. A psicóloga Karina Okajima Fukumitsu, especialista em prevenção e posvenção ao suicídio, explica que, "quando queremos compreender os processos destrutivos, devemos atentar para a direção da agressividade, ou seja, quando a agressividade se volta contra si, o suicídio acontece. E, quando a agressividade se volta para fora, os homicídios acontecem". Se essa autodestruição afeta as gerações mais jovens, Karina diz que isso vai no contrafluxo do desenvolvimento humano. "A gente pensa que a criança e o adolescente seriam o futuro da nação, como a gente normalmente fala. O suicídio é uma morte que afronta o instinto de sobrevivência que teoricamente um adolescente poderia ter." As especialistas dizem que o suicídio é um fenômeno influenciado por uma série de fatores, e por isso não é simples reduzi-lo a uma única explicação. Porém, no caso da geração atual de crianças, adolescentes e jovens adultos, alguns fatores poddem ser o isolamento e falta de vínculos sociais, o uso excessivo e negativo da tecnologia e o preconceito que a saúde mental ainda sofre na sociedade, refletido também na falta de políticas públicas. No caso dos adolescentes e jovens, o uso abusivo de álcool e drogas também é citado, pois eles podem potencializar transtornos mentais. "Não posso generalizar para todos os jovens, mas, se a gente olhar essa geração como um todo, tem muitos jovens que não veem sentido em viver", afirmou Karen Scavacini, do Vita Alere. "Isso é muito grave, eles não entendem o porquê de a gente precisar passar por tristeza, porque a gente passa por coisas difíceis, e não têm esperança de que possa mudar." Suicídios de adolescentes: como entender os motivos e lidar com o fato Karina Fukumitsu, que neste ano colaborou na elaboração da "Campanha nacional de prevenção ao suicídio e à automutilação de crianças, adolescentes e jovens", do governo federal, diz que é "imprescindível" ampliar a conscientização para o problema de saúde pública e das redes de cuidados a vários grupos de pessoas. Não só as que tentam suicídio, mas também "aos sobreviventes, enlutados pelos suicídios e às pessoas que apresentam comportamento autolesivo", com planos de intervenção nos núcleos de assistência. Para ampliar o número de profissionais qualificados para lidar com o fenômeno do suicídio, as duas especialistas lançaram, neste ano, os dois primeiros cursos de especialização em prevenção ao suicídio no Brasil. Ligação gratuita O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha com prevenção ao suicídio, por meio de voluntários que dão apoio emocional a todas as pessoas que querem e precisam conversar. Eles recebem treinamento adequado e não precisam ter formação em psicologia. Todas as ligações são sigilosas. As ligações de prevenção de suicídio feitas para o Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do número 188, passaram a ser gratuitas para todo o Brasil desde 2018, após assinatura de um convênio com o Ministério da Saúde. Suicídio: existe algum sinal? Como prevenir e conversar com meu filho sobre o tema? Initial plugin text
Cursos de especialização são voltados a graduados da área da saúde e outros profissionais que atuam na atenção a pessoas enlutadas, com ansiedade, depressão ou tendências autodestrutivas. Na tentativa de ampliar a rede de promoção de saúde mental da população brasileira, duas das maiores especialistas em suicidologia do país lançaram, neste ano, cursos de pós-graduação em prevenção ao suicídio. Só no ano passado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública lançado em setembro, 11.314 pessoas de todas as idades tiraram a própria vida no Brasil – a taxa de suicídio por 100 mil habitantes avanço de 5,2 para 5,4 entre 2017 e 2018. Pensando em capacitar profissionais da área da saúde, mas também os que atuam na assistência social, na segurança pública e na educação, Karina Okajima Fukumitsu elaborou o programa do curso de pós-graduação em "Suicidologia: Prevenção e Posvenção, Processos Autodestrutivos e Luto" pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Taxa de suicídios entre crianças e jovens de 10 a 24 anos cresce pelo décimo ano consecutivo nos EUA Já Karen Scavacini é uma das coordenadoras do curso de especialização em "Intervenção na Automutilação, Prevenção e Posvenção do Suicídio", pela Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul (FAPPS). Aumento das taxas de suicídio, principalmente entre os jovens, preocupa especialistas Frédéric Cirou/AltoPress/PhotoAlto/AFP/Arquivo Ausência de preparo na graduação "Lançamos um curso de especialização por entender que temos carência muito grande de pessoas especializadas no assunto", explicou Karen ao G1. "Muitas faculdades não têm nenhuma disciplina de prevenção ao suicídio, e estou falando inclusive da psicologia." Segundo ela, a especialização com certificado da FAPPS tem 90 alunos na primeira turma, que começou em maio e oferece aulas presenciais ou a distância, na modalidade EAD. "A gente fez EAD pensando que, num país desse tamanho, as pessoas teriam dificuldade de chegar em São Paulo para fazer esse curso, e seria uma forma de conseguir que todas as pessoas tenham acesso", disse ela, que incluiu a participação de especialistas estrangeiros no quadro docente. No caso da pós-graduação da USCS, Karina explica que a opção por manter as aulas exclusivamente presenciais foi motivada pelo tema do curso. "Para lidar com o sofrimento humano é necessário o tête-a-tête para que o acolhimento seja ação principal. Cursos EAD sobre processos destrutivos não ofertam o calor humano necessário para o acolhimento", avaliou ela. A primeira turma da pós foi fechada com 73 alunos de vários estados, como Roraima, Amazonas e Rio Grande do Sul, e as aulas tiveram início em setembro. Segundo a especialista, uma segunda turma já está "praticamente fechada" devido à alta procura. Além de psicólogos e psicopedagogos, os cursos são frequentados por profissionais formados em psiquiatria, enfermagem, jornalismo, história e educadores – diretores de escolas, por exemplo, também estão buscando formação para o acolhimento aos estudantes com ansiedade, depressão ou comportamentos autodestrutivos. O requisito para se inscrever é ter um diploma de graduação em qualquer área. Suicídio: existe algum sinal? Como prevenir e conversar com meu filho sobre o tema? Ações para ampliar a promoção da saúde mental Além das aulas e do atendimento clínico a pacientes, as duas psicólogas já atuam como palestrantes, conferencistas e consultoras quando o assunto é suicídio. Karen Scavacini é um dos nomes por trás de iniciativas como o 'Eu estou', lançada pelo Facebook em setembro de 2018. Karina Fukumitsu participou neste ano da elaboração da "Campanha nacional de prevenção ao suicídio e à automutilação de crianças, adolescentes e jovens", do governo federal, batizada de "Acolha a Vida". Com o curso, elas dizem esperar que mais pessoas se tornem especialistas no assunto, para ampliar o atendimento a uma demanda crescente, segundo as estatísticas. "Espera que dessa primeira turma, que está com 90 alunos, a gente tenha vários profissionais que realmente trabalhem nessa área", disse Karen. Para Karina, além da formação, um dos benefícios da criação de cursos desse tipo é "ter um lugar para se discutir sobre isso". Segundo ela, é importante falar sobre esses processos destrutivos e sobre morte. "Apesar do estigma, constatamos que o assunto está cada vez mais presente na vida seja pela experiência direta, seja pelo significativo aumento de casos de homicídios, suicídios, de atos de violência e de auto-agressão, sobretudo em jovens brasileiros." Prevenção e posvenção As duas especialistas também trabalham conceitos que ainda são poucos conhecidos, como a posvenção do suicídio. Elas defendem que, além de atender a pessoas em risco de suicídio, é preciso oferecer cuidados aos chamados "sobreviventes enlutados", que são as pessoas próximos a alguém que tirou a própria vida. Esse grupo populacional, se não receber tratamento adequado do que Karina chama de "acolhimento do luto", também corre riscos de desenvolver comportamentos autodestrutivos. Cursos de formação e capacitação, porém, são apenas uma das ações ainda em falta no Brasil. Karen ressalta, por exemplo, a necessidade de o Brasil tirar do papel uma política nacional de prevenção ao suicídio, além de expandir a rede de atenção à saúde mental. "No Brasil a gente tem muito o que fazer. As pessoas não têm acesso à saúde mental, não temos número de Caps [Centro de Atenção Psicossocial] suficientes. As pessoas às vezes passam meses esperando consulta com psicólogo e psiquiatra, e a gente sabe que esse tipo de atendimento é fundamental", defende Karen. Initial plugin text
Luiz Felipe Gabe doou para o banco de perucas da Liga de Combate ao Câncer. Atitude virou vídeo do Corpo de Bombeiros da cidade, que viralizou nas redes sociais. Luiz Felipe e Kátia se abraçam após menino fazer doação de cabelo Reprodução / Instagram Nem o bullying, nem as piadas constantes impediram um menino de nove anos, de Cachoeirinha, Região Metropolitana de Porto Alegre, cumprir a promessa de ajudar pessoas com câncer. Luiz Felipe Gabe, filho de um sargento do Corpo de Bombeiros de Canoas, tomou a decisão de deixar o cabelo crescer aos seis, com o objetivo de doá-lo a pessoas que passaram por quimioterapia. Nesta semana, um vídeo que mostra o encontro com a paciente que recebeu a doação ganhou as redes sociais. Em 2017, a corporação lançou a campanha #todosporelas, em que cerca de 40 bombeiros aderiram à iniciativa com o intuito de demonstrar a importância do apoio dos homens para as mulheres com o câncer. Inspirado pelo pai, Leandro, o garoto decidiu deixar o cabelo crescer para doá-lo assim que chegasse ao comprimento ideal. Initial plugin text Como revela o sargento, o filho se sentiu tocado pelas histórias de superação de pacientes que enfrentavam sessões de quimioterapia e uma mudança drástica de aparência. "Nesse período, teve algumas ocasiões de bullying na escola, mas sempre, quando passava por essas situações, dizia com firmeza que o propósito era a doação do cabelo. Nós apoiamos, os professores apoiaram, e ajudamos a esclarecer a situação. Tanto que, hoje, na turma dele, tem mais dois colegas que também estão com os cabelos compridos", conta Leandro. Luiz Felipe não sabia a quem doaria. O gesto altruísta era para qualquer mulher que precisasse do cabelo — e do carinho. Quem o aproximou a Kátia Regina Pereira, 43 anos, foram os profissionais da estética onde cortava o cabelo e da Liga do Combate ao Câncer de Canoas. Encontro aconteceu na Liga do Combate ao Câncer de Canoas Arquivo Pessoal Kátia teve o câncer de mama diagnosticado em 2017. Nesses dois anos, realizou 72 sessões de quimioterapia. O nódulo de 4 centímetros na mama esquerda regrediu até desaparecer totalmente. Porém, a dificuldade em localizá-lo permitiu que houvesse metástase para os ossos. Atualmente, a auxiliar administrativa aposentada administra o uso de morfina de quatro em quatro horas para lidar com a dor. O intenso tratamento quimoterápico que causou a queda total do cabelo. Ainda que não tenha perdido os seios, o choque com a mudança do aspecto capilar fizeram com que ela adotasse o uso de uma peruca. "Na maior parte do tempo, uso o lenço. É mais prático. Mas [a falta do cabelo] sempre é um ponto frágil", admite. Há três anos, a Liga Canoense de Combate ao Câncer realiza a confecção de perucas para ajudar mulheres que perderam o cabelo. Com o aumento da procura, a entidade precisou terceirizar o serviço a empresas, e distribuem entre outras ligas. "A peruca cura [os problemas de] autoestima das mulheres. Elas sentem falta dos cabelos. A atitude do Felipe é muito nobre", diz Rúbia Gewehr, coordenadora do banco. "A mulher, desde que nasce, o ponto forte é o cabelo, o cuidado na adolescência. Quando perde, é um baque. Não se compara com perder a mama, são graus diferentes. Mas é um baque", diz Kátia Pereira, que enfrenta um câncer ósseo A doação de Luiz Felipe é simbólica. O cabelo cortado dias atrás ainda precisa ser processado e transformado em uma peruca. Ainda assim, Kátia, uma das personagens da gravação, dedica todos os méritos da repercussão do vídeo ao menino: "É maravilhoso quando uma pessoa se dedica tanto, ainda mais na idade dele. É muito bonito e muito tocante. A estrela do vídeo foi o Felipe", resume. O encontro deixou o menino bastante emocionado. Ele garante que, assim que puder, fará outras doações, seja de cabelo, seja de tempo para dar atenção a pessoas em momentos tão frágeis. "A gente sempre ajudou várias pessoas. Sempre vou querer ajudar todos que necessitam. Fiquei bem feliz", admite. Liga Canoense de Combate ao Câncer promoveu vídeo com doação de menino Arquivo Pessoal
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Algumas pessoas acreditam que as bebidas alcoólicas cortam o efeito dos medicamentos, no entanto o álcool não interfere na ação dos remédios. O que ocorre é que, por ter um efeito diurético, o álcool faz o organismo excretar mais rapidamente os analgésicos, interferindo na duração da ação desses fármacos.
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Assim que o tempo esfria as mães já alertam os filhos para vestirem um casaco. Mas será que ficar agasalhado impede mesmo o contágio da gripe? E tomar um chá quente? Será que ajuda? Ficar exposto ao ar condicionado provoca doenças respiratórias?
 
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